Orgânico e artesanal vem de Minas Gerais
Na onda dos orgânicos embarcou Canaiti Bejarano. Ele acaba de abrir o Hacienda Café. A proposta de Bejarano é reproduzir um clima artesanal na decoração feita com móveis de madeira de demolição e chão rústico que, combinada com o serviço oferecido, dá um astral diferente ao seu empreendimento. ''O café que a gente serve aqui vem da fazenda Jacarandá no Sul de Minas e é orgânico. Queria que os clientes entrassem aqui e se sentissem distantes da vida urbana, com um clima de fazenda'', explica.
''O brasileiro toma café. O estrangeiro degusta'', explica Carmen Duarte, proprietária do Café com Saber, recém-aberto no centro de Curitiba. Trabalhando há anos com produtos naturais, Carmen serve um café especial do sul de Minas. Já que o brasileiro toma café correndo - daí o hábito dos balcões nos cafés tradicionais do País - o gosto amargo às vezes não chega nem a ser percebido.
Para delimitar essa diferença, Carmen colocou um balcão para os culturalmente apressados e mesas cheias de revistas ao lado, para os com gosto mais europeu apreciarem o café especial. ''Passo o cafezinho com água normal que todo mundo está acostumado, mas tem vezes que tenho que colocar fora, por causa do gosto amargo'', explica a empresária. ''Quero que meus clientes do café especial levem na sua lembrança o gosto do meu café e que sintam vontade de vir aqui'', referindo-se aos expressos.
Quem virou cliente assíduo de Carmen é o cosmopolita Américo Edgardo Santesteban. Especialista em hotelaria, Santesteban nasceu no Uruguai, mas já morou em várias partes do mundo. Ele contou que, no Uruguai, as pessoas não dão o endereço de casa e sim o do bar ou café que frequentam. Um hábito desconhecido do brasileiro que começa lentamente a desembarcar por aqui, graças ao já falado e batido efeito da globalização.





