Edson MazzettoObjetivo comumAvicultores reunidos ontem, em frente à unidade da Chapecó, em Cascavel: fundação da CooperoesteProdutores de frango que abasteciam o frigorífico de Cascavel do grupo catarinense Chapecó fundaram ontem a Cooperativa de Produção dos Trabalhadores Rurais do Oeste do Paraná (Cooperoeste), que se candidatará ao arrendamento da indústria, cujo fechamento, em dezembro do ano passado, tem causado elevados prejuízos aos granjeiros do Oeste e Sudoeste, seus fornecedores.
A assembléia de fundação aconteceu na frente do frigorífico, onde os avicultores mantêm acampamento há duas semanas como forma de pressão para que ele seja reativado.
Os 580 aviários dos produtores estão parados, por isso eles perderam sua principal fonte de renda, enquanto acumulam dívidas em bancos. Também estão parcial ou totalmente desativadas outras indústrias do grupo, em Santa Catarina e São Paulo, como decorrência de uma crise que se arrasta há mais de dois anos. Segundo José Lino Bergamin, um dos líderes da cooperativa, as dívidas da Chapecó são superiores a R$ 300 milhões e o patrimônio ‘‘não vale nem a metade desse valor’’.
Os avicultores acusam instituições financeiras credoras da Chapecó, lideradas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de não facilitar a negociação das indústrias em bloco nem de aceitar o desmembramento do frigorífico de Cascavel - que pretendem assumir através da Cooperoeste. O grupo argentino Macri pediu deságio de pelo menos 60% nas dívidas, o que não foi aceito pelos credores (quatorze bancos).
Bergamin relata que há ‘‘pouca esperança’’ de que haverá êxito nas negociações, daí a disposição de arrendar o frigorífico de Cascavel. O prefeito Salazar Barreiros (PPB) disse ontem, porém, que tem informações sobre a possibilidade de definição breve para a proposta do grupo Macri, que utiliza o Banco Patrimônio como intermediador para seus negócios no Brasil.

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