Orçamento para serviços em casa deve ser detalhado
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de julho de 1997
Agência Estado São Paulo 
As páginas amarelas das listas telefônicas estão repletas de anúncios de profissionais de toda área, de marceneiros, eletricistas a mecânicos, todos oferecendo serviços com qualidade, rapidez e pelo melhor preço. Existem também cartazes com as mesmas propostas afixados em postes espalhados pela cidade. Uma solução fácil para cada tipo de problema até o dia em que se tem de contratá-los.
A prestação desse tipo de serviço nos grandes centros tem sido alvo de frequentes reclamações, que vão desde a demora do profissional para entregar o produto prometido e o não-comparecimento na data marcada para a execução do serviço até a própria dificuldade para solucionar os problemas para os quais foi contratado, o que muitas vezes chega a deixar a situação ainda pior do que a encontrada.
A promotora de Justiça Claudia Prataviera e seu marido, o juiz Carlos Eduardo, colecionam muitos casos de displicência e incompetência ocorridos desde que resolveram fazer o acabamento do apartamento entregue recentemente pela construtora.
Ela conta que o marceneiro contratado para fabricar os móveis para o novo apartamento já causou estranheza logo de início, quando começou a medir o espaço com folhas de jornal e ripas de madeira. O resultado não poderia ser outro: os móveis, entregues dois meses depois do combinado, não couberam em canto nenhum e acabaram sendo instalados a força pelos profissionais, causando vários estragos na parede. O pior de tudo é que já havíamos pago dois terços do valor cobrado, lamenta.
Decididos a não contratar mais os serviços de autônomos, o casal resolveu deixar os móveis do escritório e da cozinha - considerados os mais caros - para uma empresa especializada. Não viram diferença nenhuma. Com 45 dias de atraso, a empresa entregou móveis manchados e com problemas de acabamento. Pelo menos, desta vez, tínhamos um contrato formal, o que não ocorreu com o profissional autônomo, comenta Claudia.
Com base nas muitas reclamações de consumidores prejudicados pela prestação de serviços, a Fundação Procon elaborou uma cartilha com algumas orientações básicas a ser seguidas na hora de fazer a contratação.
A principal recomendação é que os consumidores pesquisem preços e busquem indicações de amigos e vizinhos sobre o profissional a ser contratado. Além disso, o contratante deve exigir que o profissional faça um orçamento, incluindo seus dados pessoais (RG, CIC, endereço, telefone, etc.), valor da mão-de-obra, dos materiais e equipamentos a ser utilizados, condições de pagamento e data do início e término do serviço. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, uma vez assinado, esse documento só poderá ser alterado ou cancelado por comum acordo entre as partes. Se houver necessidade de dar algum adiantamento ou sinal, deve-se pagar o menos possível e sempre exigir recibos.


