Segundo especialistas, estamos vivendo um grande momento econômico que vai viabilizar um Natal com excelentes perspectivas para o comércio de modo geral.
Em um país que registrou uma taxa crescente de desemprego, sem aumento real de salários, só encontramos uma saída para o dito crescimento econômico: ou é um crescimento psicológico, objetivando estimular o consumo ou os preços reais dos produtos estão mais próximos da realidade.
As injeções de compulsório na economia, com a oferta de mais moeda, estimularam uma baixa parcial nos juros, impulsionando a compra a prazo em detrimento da compra a vista, tendo em vista os baixos recursos nos bolsos dos consumidores.
Temos que tomar cuidado, pois estamos vivendo um mês (como sempre o mês de dezembro) onde os meios produtivos recebem para consumo dois salários – o 13º e o salário normal – isto sem nos esquecermos que as frentes temporárias de trabalho também injetam um adicional nos meios de ganhos da população.
Vamos citar um exemplo dos cuidados que o consumidor deve ter com os gastos de final de ano: uma compra de R$ 100,00 à vista, com opção de divisão em cinco pagamentos, eleva o custo da mercadoria para R$ 120,00. Neste caso, haverá uma entrada de R$ 24,00 mais quatro pagamentos de igual valor. Para o consumidor, poderia soar um bom negócio. Porém, o cálculo deveria levar em conta o seguinte procedimento: o preço a vista de R$ 100,00 menos a primeira parcela de R$ 24,00 embutido os juros da compra a prazo, é igual a R$ 76,00.
Assumindo-se cinco prestações de R$ 24,00, o saldo das quatro prestações restantes, fora a entrada, seria de R$ 96,00 contra os R$ 76,00. Portanto, acréscimo de R$ 20,00 que, sobre os R$ 96,00, representa uma taxa de juros de 20,83% no período.
Levando em consideração os pagamentos com os prazos de 30, 60, 90 e 120 dias, temos um prazo médio para pagamento de 75 dias, representando uma taxa de juros ao mês de 8,33% linear e 7,86% capitalizada. Este exemplo pode ser utilizado em todas as compras a prazo.
Esta explicação é um alerta para o início do próximo ano em que estaremos vivendo um momento normal na economia com a redução de empregos temporários e com a maioria da população economicamente ativa em férias, o que representa redução de consumo nas cidades onde residem.
Os cuidados com as compras de dezembro devem ser redobrados, pois mesmo com juros de 3% a 6% ao mês, os custos passam a representar de 40% a 100% ao ano. O orçamento do consumidor deve estar atrelado aos ganhos reais para evitar que a entrada do próximo milênio não traga dores de cabeça ao bolso dos cidadãos. Daí a nossa afirmativa: o orçamento doméstico deve estar atrelado ao espírito natalino, para que possamos iniciar bem o orçamento do ano vindouro.
-Paulo Afonso Rodrigues é Contabilista, ex-gerente de banco e assessor financeiro em Londrina/PR – [email protected] / www.afiplan.hpg.com.br

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