Brasília - Os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, anunciaram ontem a decisão de o governo fazer um corte adicional de R$ 10 bilhões no Orçamento de 2010. Segundo Mantega, com o corte inicial já feito de R$ 21,8 bilhões, a redução total no Orçamento corresponde a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo Mantega, os ministérios vão ter que fazer esse ''sacrifício'' para conter o aquecimento da demanda na economia. De acordo com o ministro, essa demanda, que é formada pelo setor público e privado, está acima do normal. A maneira mais rápida de agir, segundo ele, é cortando a demanda pública por meio de um contingenciamento nos gastos de custeio, que ele comparou a ''um corte na veia''.
Mantega comparou o novo corte de orçamento que o governo fará como uma medida para ''acalmar'' o crescimento. Segundo ele, é absolutamente normal que o governo haja de forma cíclica ou anticíclica para administrar a economia. Ele destacou que em 2009, devido à crise financeira internacional, o governo deu estímulos para acelerar o crescimento. ''E deu até certo demais''. Agora, com a aceleração do crescimento, o governo tem que trabalhar do lado contrário.
Segundo ele, os investimentos e programas sociais serão preservados. ''Para a economia é um bom sinal'', disse. Mantega declarou que o governo não deixará que o crescimento da economia em 2010 seja maior do que 7%. Segundo ele o governo tem instrumentos, entre eles o aumento dos juros, para manter o crescimento equilibrado. O ministro disse que o primeiro trimestre será aquecido, mas depois haverá uma desaceleração do crescimento. ''Depois será menos aquecido'', afirmou Mantega.
Ele disse que o governo tem que ''ir observando para, não fazer bobagem''. Mantega destacou que o governo não pode deixar a economia crescer ''demais ou de menos''. E disse que não acredita que o crescimento será de 7,5% ou 8%, como preveem analistas.

mockup