Brasília - O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvio Crestana, afirmou ontem que, pela primeira vez, o orçamento da estatal ultrapassará R$ 1 bilhão. O orçamento aprovado no Congresso Nacional para 2006 é de R$ 970 milhões, mas há outros R$ 43 milhões referentes a emendas apresentadas por parlamentares. Crestana participou de um café da manhã com jornalistas para falar sobre a exposição de tecnologia agropecuária ‘‘Ciência Para a Vida’’, que ocorre até domingo na sede da Embrapa, em Brasília.
  Segundo ele, a função da Embrapa é ‘‘transferir tecnologia à sociedade e garantir que essa tecnologia chegue ao produtor final e também aos consumidores’’. Ele reafirmou que o montante investido no Brasil em inovação tecnológica ainda é baixo. No Brasil, entre 1,3% e 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) é gasto com inovação e pesquisa. Em outros países, esse porcentual, segundo Crestana, pode superar 3%.
  O presidente da Embrapa salientou que a empresa abrirá um escritório na África, como forma de atender às demandas daquele continente por tecnologia agropecuária. Ele estimou que serão investidos US$ 500 mil na nova unidade, que também terá aporte dos governos dos países locais. Ao destacar a importância da pesquisa agropecuária, ele ressaltou que há 20 anos a produtividade das lavouras de cana-de-açúcar era de 30 ou 40 toneladas por hectare. Hoje, essa produtividade é três vezes maior.
  Balanço - A Embrapa divulgou o balanço social, que mostra que para cada real aplicado em pesquisa R$ 14 retornam para a sociedade brasileira. O ‘‘lucro social’’ da Embrapa foi de R$ 12,9 bilhões no ano passado e foram proporcionados 102,3 mil empregos a partir de tecnologias distribuídas pela estatal.
  Ainda segundo a Embrapa, no ano passado foram desenvolvidas 600 ações de interesse social e a taxa interna de retorno dos investimentos em pesquisa agropecuária foi de 37,5%. A estimativa de retorno para a sociedade considera o lucro de R$ 12,9 bilhões, dividido pela receita operacional líquida.
  No ano passado, a participação da empresa no mercado de sementes foi de 170 cultivares de algodão, arroz irrigado, arroz de sequeiro, feijão, milho, soja e trigo, o que produziu impacto econômico de R$ 4,943 bilhões. ‘‘Nesses valores, foi considerada apenas a participação da empresa na geração de tecnologias, sendo excluídos os ganhos devidos à atuação de parceiros. Os benefícios da cultivares foram calculados comparativamente a cultivares antes usados pelos produtores’’, informou a Embrapa, por meio de documento do seu balanço social.
  Com relação à agricultura familiar, no ano passado foram desenvolvidas 100 ações direcionadas a esse público, entre elas a melhoria na produção de leite de cabra. Essa atividade é típica dos produtores da Região Nordeste e, nesse caso, a Embrapa trabalha para acabar com a sazonalidade da produção forrageira na alimentação dos caprinos.
  Uma das medidas é a capacitação na produção e conservação de forrageiras adaptadas ao semi-árido. ‘‘Com isso é possível corrigir a falta de oferta de leite caprino em determinados períodos, garantindo o produto para os programas sociais e a remuneração de quem vive da atividade’’, informou a Embrapa.

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