Orbis anuncia fábrica no Paraná
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
A empresa de aquecedores a gás Orbis, líder do mercado argentino, anunciou ontem investimentos de US$ 20 milhões para a construção de uma unidade em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. A produção deverá começar no final do primeiro trimestre de 1998, com a previsão de alcançar 45 mil unidades já no final do próximo ano. Até 2001, a estimativa é que estejam sendo produzidos 450 mil aquecedores a gás de uso doméstico destinados aos mercados brasileiro, latino-americano, canadense e norte-americano.
A unidade instalada em Campina Grande do Sul será a primeira fábrica da Orbis fora da Argentina, onde o grupo é responsável por 46% das vendas. O terreno tem mais de 150 mil metros quadrados e deverá abrigar um parque industrial com cerca de 9 mil metros quadrados de área construída. A produção incluirá aquecedores de passagem, acumulação e ambiente. Incialmente, a empresa deverá 30 empregos diretos e outros 30 indiretos - número que deverá saltar para 300 nos próximos anos.
A vinda da empresa para o Brasil é justificada pelo presidente da Orbis, Federico Mertig, como uma aposta no crescimento do mercado de aquecedores no País, onde os equipamentos a gás ainda são pouco usados. Para Mertig, o Brasil começa a enfrentar agora os primeiros problemas de escassez de energia, o que indica que deverão haver mudanças nos sistemas de aquecimento de água e ambientes.
A escolha do Paraná foi orientada, segundo o presidente da empresa, pela posição geográfica estratégica ocupada pelo Estado em relação ao Mercosul. Além disso, Mertig também destaca a predisposição do governo estadual em discutir questões relacionadas a instalação da fábrica, aliada à possibilidade de concessão de incentivos fiscais. Atualmente, a empresa está em fase de negociação final da sua participação no programa Paraná 12 Meses, que prevê dilação nos prazos de pagamento de ICMS.
A empresa investiu cerca de US$ 150 mil em pesquisas de mercado no Brasil, que indicaram carência de equipamentos com tecnologia mais moderna e com garantia de segurança. Segundo o gerente de administração, Hugo Ganin, as pesquisas também detectaram o desejo dos consumidores de ter acesso a produtos mais baratos e econômicos. Ganin não arrisca projeções sobre a participação que a empresa pretende ter no mercado brasileiro, afirmando que ele ainda é pouco disputado e por isso precisa ser construído.
O mercado alvo dos aquecedores que serão produzidos pela Orbis Mertig do Brasil são as empresas de construção civil. No Paraná, a empresa já iniciou contatos com as construtoras Berman, Casteval, Santa Cruz e Modular, com as quais deverá firmar contrato de fornecedora exclusiva. A Orbis também atuará em parceria com a Ultragás, responsável pela comercialização do combustível.
A maior preocupação da Orbis Mertig do Brasil, num primeiro momento, é criar condições de oferecer assistência técnica adequada para a instalação dos equipamentos. Cerca de 50 pessoas já estão sendo treinadas em Campina Grande do Sul para esta finalidade.


