Os opositores à privatização da Copel pretendem utilizar o resultado financeiro da estatal, publicado ontem em jornais, como trunfo para convencer a população a ficar contra a privatização. A Copel teve lucro recorde de R$ 430 milhões. O Fórum Popular Contra a Venda da Copel, que lançará hoje sua campanha de marketing para a mobilização, pretende usar a lucratividade da empresa como bandeira. Horas antes do lançamento do Fórum, o presidente da Copel, Ingo Hubert, fará uma análise mais aprofundada dos resultados do balanço.
Hubert sustenta a tese de que a Copel não se manterá lucrativa quando o mercado de energia estiver desregulamentado. A partir de 2004 os consumidores poderão comprar energia de qualquer companhia. ‘‘As estatais têm amarras que os grupos privados não têm. Em pouco tempo não teremos fôlego para competir’’, tem afirmado o presidente da Copel e secretário da Fazenda, nas palestras e seminários que tem feito para convencer a sociedade da necessidade da venda.
Deputados estaduais e outras lideranças não aceitam a versão do governo do Estado. ‘‘Ao privatizar uma empresa que é a mais lucrativa do Sul do País, o governo mostra sua insensatez’’, criticou ontem o coordenador do Fórum, Nelton Friedrich. Alguns deputados estaduais também se posicionam contra a privatização. ‘‘Como aceitar a venda de uma empresa que dá um lucro desses?’’, questionou o líder do PMDB, Nereu Moura. A deputada Luciana Rafagnin (PT) tem repetido: ‘‘O governo vende o Banestado porque dá prejuízo. E quer vender a Copel porque dá lucro. Não dá para entender’’. (C.M.)

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