Brasília - O desempenho negativo da economia tende a enfraquecer politicamente o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, avaliou ontem um grupo de parlamentares. ''É capaz de ele virar o bode, o que pode piorar a situação da economia'', alertou o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). ''A estabilidade pode ir embora.''
''Os mais radicais, tanto da oposição como do governo, vão aproveitar os dados para apertar o cerco contra o ministro'', disse o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB). ''O grande problema que o ministro vai sofrer é o aumento do fogo amigo. Enquanto o PIB estava crescendo, tudo bem. Na hora que cai, praticamente dentro de um ano eleitoral, ele vai sofrer dentro do próprio partido'', disse o senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA).
Para Jereissati, a culpa pelo resultado negativo não pode ser atribuída somente ao ministro Palocci. ''A culpa é do governo e não do ministro Palocci. Não há milagre.'' Na avaliação do senador José Jorge (PFL-PE), no entanto, o principal responsável pelo dados negativos da economia é, sim, o ministro Palocci. José Jorge ponderou que a oposição se vê obrigada a apoiar Palocci porque é uma escolha entre o ''ministro da responsabilidade fiscal e a ministra da gastança eleitoral''. Ele se referia à briga entre Palocci e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. ''Nós achamos que, sem ele, talvez seja pior'', concordou o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Questionado se o resultado do PIB de fato enfraqueceria Palocci, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), respondeu: ''Acho que você conversou bastante com a oposição. Eu não penso assim. Isso é parte do processo econômico.'' Na avaliação do senador, há margem na política econômica para reverter a trajetória da economia. ''O ministro Palocci seguramente o fará, olhando com bastante atenção para o crescimento'', afirmou.

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