Oposição pode dificultar reformas
Curitiba - Os analistas de mercado prevêem que o novo presidente terá grandes desafios. Lula deve enfrentar uma oposição que vai bater nas questões relativas aos problemas ético e moral, o que deve dificultar a aprovação de reformas. ''O desafio é conseguir montar uma taxa de crescimento que possa incorporar mais pessoas no mercado de trabalho'', disse Ricardo Rocha.
Para ele, o Brasil também precisa refletir sobre a falsa liderança na América Latina. Além disso, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) precisam sair do papel. Outro ponto importante é o investimento em infra-estrutura como rodovias, portos e aeroportos. ''Temos um gargalo que é o crescimento das exportações'', destaca. Na geração de energia também há vários projetos de hidrelétricas suspensos por motivos de impacto ambiental.
Sérgio Martenetz acredita que os maiores desafios serão realizar as reformas tributária, previdenciária e política, além de baixar juros e cortar gastos. Alex Agostini cita como desafios para o novo presidente manter as contas públicas estabilizadas, realizar as reformas, criar empregos e avançar nos investimentos em infra-estrutura. ''Se o Lula tivesse entregado o País com um crescimento de 6% do PIB (Produto Interno Bruto), certamente seria reeleito'', conclui.
A linha de pensamento é unânime entre cientistas políticos, que fazem questão de frisar que quanto mais se demora para fazer as reformas previdenciária, trabalhista, tributária, etc, mais difícil fica sustentar a política atual de grandes superávits primários, altos juros, câmbio valorizado e baixo crescimento. A lentidão e o posterior abandono da agenda reformista resultaram no baixo crescimento que, de certa forma, depõe contra todo o discurso de reforma do Estado. É como, ao tomar uma dose insuficiente, e se curar apenas parcialmente, o paciente passe a rejeitar a medicação. (A.B./com AE)





