Oposição pega carona no bloqueio chinês
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A recusa pela China da soja convencional exportada por cinco empresas do Paraná foi questionada ontem pelos líderes dos partidos de oposição da Assembléia Legislativa. O deputado estadual Élio Rusch (PFL) ironizou a atitude do governo do Estado em proibir a exportação de transgênicos e permitir o envio de soja com sementes ''contaminadas'' para a China - um dos maiores mercados importadores de soja do Brasil. ''Qual a explicação que o governo vai dar agora? Não podemos aceitar isso. A China tem aceitado o produto transgênicos, mas não suporta a chamada soja contaminada, que contém fungicida. Por que não há uma fiscalização rigorosa?''
O deputado estadual Agustinho Zucchi (PDT) disse que a prática de se colocar sementes contaminadas com a soja é comum. A diferença, segundo ele, é que a China é mais rigorosa na fiscalização dos produtos que são recebidos do Brasil. ''Se sobra soja com fungicida na lavoura, o agricultor acaba incorporando isso no restante do produto que vai vender. Aí é que está o problema. Tem que se achar uma forma de controlar isso'', apontou ele.
O deputado estadual Plauto Miró Guimarães (PFL), líder do partido na Assembléia, lembrou que existem organismos de controle e fiscalização. Um deles seria a própria Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar), que atua em vários pontos do Estado e tem exigido controle de transgenia em toda a soja que sai do Porto de Paranaguá. ''O porto está mais uma vez demonstrando que é problema para o Paraná e não solução'', destacou o parlamentar.
O líder do governo Natálio Stica (PT) não quis se posicionar em plenário. Em entrevista à Folha, Stica confessou que está havendo falta de fiscalização severa por parte da Claspar. Entretanto, ele culpou os próprios produtores rurais pelo ''desleixo'' nas exportações. ''Os produtores precisam se adequar à nova realidade. Não é possível que o Paraná perca a possibilidade de gerar divisas por causa da contaminação da soja'', afirmou.
Ele não descartou ainda a possibilidade da China estar orquestrando um excesso de rigor para conseguir reduzir o preço da saca da soja, que subiu nos últimos meses de US$ 13 para US$ 17. ''Os produtores estão mal acostumados e existe sim um excesso de zelo da China. Mas é fundamental que as cooperativas percebam isso e orientem os produtores que a exportação é sinônimo de qualidade de produto'', enfatizou.
Na sexta-feira, Stica vai se reunir com o superintendente do Porto Eduardo Requião (PMDB). O parlamentar quer buscar informações sobre a forma de fiscalização e classificação de sementes no Porto de Paranaguá antes de emitir posicionamentos governamentais em plenário. A Folha entrou ontem em contato com a Claspar para pedir uma resposta aos ataques dos parlamentares, mas ninguém retornou até o final desta edição.


