Oposição descarta corte social e impostos maiores
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Agência Estado 
O deputado José Genoíno (foto), reeleito pelo PT de São Paulo, disse ontem que os partidos de oposição aceitam discutir o ajuste fiscal, desde que não haja cortes nos investimentos sociais, nem aumento de impostos. Cortes sociais e aumento de impostos não estão na nossa agenda para discutir a crise. Não podemos aceitar o prato feito do governo, disse Genoíno. A crise é real, mas nós não achamos que toda a sociedade tenha que pagar por ela.
O senador Eduardo Suplicy (PT), também reeleito, mostrou à imprensa um relatório do Banco Mundial para reafirmar a postura do partido divulgada por Genoíno. Nesse relatório, o Brasil está entre os que se destacam na má distribuição de renda. Segundo os senador, os 10% mais ricos no País detêm 48% da renda nacional. Queremos saber como as medidas de ajuste fiscal poderão acabar com o desemprego, conforme a propaganda política do presidente Fernando Henrique, disse Suplicy.
O líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), explicou ontem que o governo precisa dialogar com a oposição, mas que não adianta negociar um ajuste possível. Ou fazemos um ajuste necessário, ou não adianta, afirmou. Nós empurramos (o ajuste) com a barriga durante muito tempo. Agora chegou a hora da verdade, acrescentou o líder.
Sérgio Machado disse também que não acredita que o PMDB assuma uma postura de oposição ao ajuste fiscal em represália ao governo que não apoiou seus candidatos nas eleições para governador. Segundo ele, é o País e não o governo que precisa desse ajuste. É natural que o PMDB faça uma reflexão depois das eleições. Mas para chegar a 2002 (referindo-se a próxima eleição presidencial), temos de pensar hoje, recomendou.
O senador reeleito pelo Rio Grande do Norte e presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Fernando Bezerra (PMDB), defendeu que uma alternativa para o aumento da CPMF seria a votação em regime de urgência da reforma tributária. Ele defende a redução das taxas de juros em contrapartida ao aumento fiscal.


