Oposição bombardeia economista
José Paulo Lacerta/Agência EstadoEscoltaO presidente indicado do BC, Armínio Fraga, com ACM: Bata duro, aconselhou o senadorO economista Armínio Fraga sofreu um verdadeiro bombardeio dos senadores do bloco de oposição (PT, PDT, PPS e PSB). Foi chamado de gênio do mal por Saturnino Braga (PSB-RJ) e teve sua presença na presidência do Banco Central comparada, por Lauro Campos (PT-DF), à de um vampiro cuidando de um banco de sangue.
Saturnino tachou Armínio de homem de resultados, com um caráter marcado pela elasticidade ética. Roberto Freire (PPS-PE), em uma intervenção exaltada, acusou Armínio de não ter reputação ilibada para ocupar a presidência do Banco Central, por sua relação com o mercado financeiro. Não se pode jogar pôquer honesto conhecendo o jogo do adversário, disse Saturnino.
Freire chamou de promiscuidade a relação de Armínio com o mercado de investimentos e cobrou explicações sobre as suspeitas de que ele teria dado informações privilegiadas ao megainvestidor George Soros, seu ex-patrão. Bata duro, aconselhou o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que permaneceu ao lado de Armínio durante toda a arguição.
Não sou gênio. Mas sou do bem. Quero declarar minha indignação com as tentativas de me rotular como especulador e jogador. Não fazem justiça com a minha carreira profissional, respondeu o economista. Me senti ofendido, disse Armínio, respondendo a Freire. Vejo aqui uma tendência ao prejulgamento através (sic) de rótulos. Gostaria que o senhor procurasse se informar a meu respeito, para ter a tranquilidade de saber que está falando com uma pessoa de bem, continuou.
O economista, que manteve a calma durante todo a arguição, disse que, por não ser político, se sentia acanhado diante da eloquência de Freire. A oposição foi grosseira, disse ACM mais tarde. Ser agressiva era obrigação da oposição. Há um clamor nacional contra essa política do governo de abrir o país à especulação. E ele (Armínio) representa isso. Estamos interpretando esse sentimento de indignação, disse Saturnino.
José Eduardo Dutra (PT-SE) comparou a uma fábula a versão do economista, que negou ter tido acesso a informações privilegiadas antes de sua indicação, durante jantar com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Para Jefferson Peres (PDT-AM), Armínio não foi ético ao se empregar no fundo de investimentos privado de George Soros, depois que deixou a diretoria do Banco Central, no governo Collor.
Pedro Simon (PMDB-RS) também contribuiu para o constrangimento de Armínio. Questionou o fato de ele ter deixado uma remuneração alta, trabalhando no setor financeiro privado, para vir ganhar um salariozinho como presidente do Banco Central. Vossa excelência deu a entender que cansou de ganhar dinheiro. Pergunto: por quanto tempo? Vossa excelência conviveu com um homem amoral (Soros), que reconheceu em uma entrevista que sua atividade é amoral. Vossa excelência rompeu com esse homem?, perguntou.
A oposição obteve uma vitória no início da sessão, com a ajuda dos senadores Roberto Requião (PMDB-PR) e Pedro Simon (PMDB-RS). Eles conseguiram impedir que a arguição de Armínio fosse feita em conjunto com os outros cinco diretores indicados para o BC. Requião tentou, sem sucesso, adiar a arguição, pedindo diligências a respeito de processos do TCU (Tribunal de Contas da União) contra Armínio.





