Oportunidades frente à crise
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
As oportunidades existem mesmo em momentos de crise. A recessão econômica já anunciada nos Estados Unidos, em países europeus e asiáticos provocou mudanças nos hábitos de consumo da população, elevando a demanda por bens duráveis. Neste cenário, a Klabin - maior produtora, exportadora e recicladora de papéis do Brasil - apresentou crescimento de 37% na comercialização de papéis cartão (usado em embalagens tetra-pak e para alimentos congelados), enquanto o mercado vai crescer 3,5% neste ano.
''A crise trouxe alguns efeitos interessantes e proporcionou crescimento em alguns setores específicos'', avalia Edgard Avezum, diretor comercial da área de cartões da Klabin. Enquanto caiu a demanda global por bens duráveis (automóveis, imóveis e eletroeletrônicos), as famílias passaram a gastar mais em alimentação. Neste caso, os maiores beneficiados são as redes de fast food e os supermercados, com as vendas de pratos prontos e congelados. No mês passado, por exemplo, a rede Mc Donald's e a Nestlé anunciaram aumento de vendas, apesar da crise. A lógica é que aumentando a demanda por este tipo de alimento, cresce também o comércio de embalagens.
Além da modificação dos hábitos de consumo, outro fator que favoreceu a Klabin foi a apreciação do dólar frente ao real, o que tornou a indústria mais competitiva no mercado externo. A indústria produz cerca de 320 mil toneladas de papel cartão mas até o final do próximo ano a produção vai atingir 740 mil toneladas. A estimativa é aumentar em mais 250 pessoas o quadro de funcionários na unidade paranaense. Cerca de 55% da produção é direcionada ao mercado externo, atingindo 30 países. Outro fator que favoreceu as exportações foi o custo do frete, que caiu depois da crise.
A competitividade não é o único diferencial. As embalagens são ''verdes'', produzidas a partir de florestas certificadas pelo FSC (conselho internacional de manejo florestal). ''É mais um argumento de vendas. A globalização contribuiu também para aumentar a consciência ecológica das empresas'', observa Avezum. A Klabin diz ter uma área de preservação superior à média do mercado com uma proporção de 100 hectares de florestas plantadas para cada 83 hectares de floresta nativa. Ao todo são 220 mil hectares plantados e 187 mil hectares de mata nativa distribuídos pelo Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
As florestas também rendem dividendos. No ano passado a Klabin começou a negociação por créditos de carbono, participando do Protocolo de Kyoto. No entanto, o valor comercializado até agora não foi divulgado. A maior demanda ocorre em países europeus, uma vez que os Estados Unidos não aderiram ao acordo. ''Nossos parceiros exigem uma postura social e ambiental. É o diferencial da empresa para se manter no mercado'', salienta Júlio Nogueira, gerente corporativo de Meio Ambiente. Além da negociação dos créditos a Klabin iniciou a utilização de biomassa, feita a partir de resíduos de madeira, para queima em caldeiras. A substituição impede a emissão de 60 mil toneladas de gás carbônico provenientes de combustível fóssil.
A jornalista viajou a São Paulo a convite da Klabin


