O Reino Unido é o terceiro maior ecossistema de tecnologia do mundo, atrás apenas do Vale do Silício e de Nova Iorque, e o segundo mais conectado do mundo. São mais de 200 mil startups, 70 incubadoras e aceleradoras, 156 espaços de coworking e 56 bilhões de libras de receita digital no País, que é considerado aquele que mais atrai investimentos na Europa. Segundo a Tech Nation, o país abriga 35% das unicórnios (startups avaliadas em mais de US$ 1 bi) da Europa e de Israel, que geraram em torno de R$ 64 bilhões só em 2018. Ao mesmo tempo, o governo do Reino Unido considera o Brasil o país mais importante da América Latina e do México para fazer negócios na área de tecnologia. Tanto que é o único nessa região que possui uma equipe do DIT-UK (Ministério de Comércio Internacional do Reino Unido) dedicada ao setor.

Cristiano Andrade, gerente de desenvolvimento de negócios do DIT-UK na área de tecnologia no Brasil: o setor que mais leva empresas brasileiras ao Reino Unido é a tecnologia
Cristiano Andrade, gerente de desenvolvimento de negócios do DIT-UK na área de tecnologia no Brasil: o setor que mais leva empresas brasileiras ao Reino Unido é a tecnologia | Foto: Mie Francine Chiba

Nesta quinta-feira (12), o gerente de desenvolvimento de negócios do DIT-UK na área de tecnologia no Brasil, Cristiano Andrade, foi à PUCPR falar sobre oportunidades de negócios para empresas brasileiras de tecnologia com o Reino Unido no Brazil Tech Roadshow. O evento é uma iniciativa do DIT-UK no Brasil que pretende atrair interessados em conhecer mais o cenário de tecnologia britânico, visitando cidades brasileiras que demonstrem uma significativa atuação no setor de tecnologia e inovação. A primeira cidade por onde o Tech Roadshow passou foi Belo Horizonte. Na última quarta-feira (11), esteve em Curitiba.

Londres é considerado um centro financeiro, e por isso concentra um grande número de fintechs. Mas outras regiões do País também são reconhecidas como hubs especializadas em outras áreas, como de segurança cibernética e cloud computing.

Como o Reino Unido tem uma grande quantidade de pessoas de outras nacionalidades, estar no País permite ter contato com outros lugares do planeta. Conforme Andrade, mais de um quarto dos empreendedores do mundo têm algum tipo de relação com o País. Nas unicórnios do Reino Unido, mais de 40% dos fundadores não são britânicos.

Mais de 100 empresas brasileiras já estão no Reino Unido. “O setor que mais leva empresas brasileiras para operar no Reino Unido é tecnologia”, afirma o gerente. Alguns casos emblemáticos do Paraná são o EBANX, que nasceu em Curitiba e levou suas operações de pagamento para o Reino Unido através do DIT-UK. “Quando você consegue operar em Londres, que é um centro financeiro global, literalmente está conectado com todos os países do mundo na questão financeira. Muitas empresas, principalmente do setor de fintech, olham muito para Londres para ter um negocio.” Outro exemplo, de Curitiba, é o Pipefy, que desenvolve ferramentas de gestão de projetos. “Ontem (quarta-feira, 11) mesmo teve as informação que eles estão negociando com um grande cliente britânico. Isso está fazendo toda a diferença.”

A indústria farmacêutica veterinária londrinense Venco Saúde Animal foi um exemplo de empresa que conquistou investimento da britânica Dechra, que está entre as dez maiores farmacêuticas do setor veterinário do mundo, no final do ano passado. A Venco foi a primeira aposta da gigante britânica no mercado sulamericano, afirmou Luiz Eduardo Ferraz, diretor técnico, durante o Brasil Tech Show. Hoje, a Venco se chama Dechra Brasil e cresce acima de dois dígitos. Além disso, Ferraz afirma que a fábrica londrinense, situada no Parque das Indústrias Leves, passou a receber investimento da britânica para elevar o padrão de qualidade e atingir outros mercados, com foco na América Latina mas interesse também nos EUA e países da Europa.

Conforme Ferraz, as vacinas desenvolvidas pela Venco foram o atrativo para o investimento da Dechra. “A prevenção é muito importante para a produção de alimentos. A vacina é o principal caminho para evitar usar outros medicamentos no futuro.” O fato de o Brasil ser o maior produtor de proteína animal do mundo também pesou na decisão do investimento, analisou o diretor. A Dechra Brasil tem hoje 255 colaboradores.

CONEXÃO COM O AMBIENTE DE NEGÓCIOS BRITÂNICO

Segundo Cristiano Andrade, o papel do DIT-UK no Brasil é conversar com as empresas brasileiras, entender as suas necessidades e fazer conexões com outras empresas ou recursos presentes no Reino Unido que possam ajudá-las dentro das estratégias dos governos dos dois países. O caminho inverso também é válido. O trabalho não se restringe apenas a ajudá-las a abrirem a empresa no País, mas também a encontrarem investidores e parceiros de negócios e de desenvolvimento de tecnologias que ainda não existem no Brasil, por exemplo. “O DIT-UK estimula o desenvolvimento de negócios, promove o mercado britânico para as empresas brasileiras para que, a partir do interesse delas no processo de internacionalização, elas possam ver o Reino Unido como um destino para desenvolver parcerias, buscar tecnologias e fazer negócios”, explica o gerente do Ministério.

O serviço é gratuito e confidencial. “É um ganha-ganha muito importante. Um ganho para empresa e para o País, porque o começa a acessar via empresas uma tecnologia que está num patamar global. Também ganha o Reino Unido, porque está promovendo uma competência que tem e consequentemente sendo desafiado a aplicar tecnologia em outro contexto.”

Exemplos de como o governo britânico pode ajudar empresas brasileiras é oferecendo informações sobre programas de aceleração no País e contatos de potenciais investidores, por exemplo. Andrade cita o caso de uma empresa brasileiras que buscava parceiro para desenvolvimento de tecnologia de bilhetagem eletrônica, e não o encontrava no Brasil. Uma parceria internacional com uma empresa que já tivesse uma plataforma desenvolvida para essa necessidade poderia aumentar a competitividade do negócio rapidamente. Ele também lembrou do caso de uma empresa britânica que desenvolveu uma tecnologia de rede de satélites nano para conexão à internet e que buscava um parceiro brasileiro para trazer a tecnologia ao País.

“O caminho natural do modelo de negócios das startups é sair do Brasil”, comentou Cristiano Teodoro Russo, coordenador da Hotmilk, aceleradora da PUCPR, em Londrina. Para ele, as startups que vão “cruzar a fronteira” do País são, principalmente, aquelas com negócios disruptivos. Em um momento que o País acena para os países da Europa em busca de negócios, é importante o empresário ouvir o que o Reino Unido tem a dizer, ele conclui.

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