Por mais de 60 anos, os Estados Unidos emitiram dólares para financiar o mundo capitalista via déficit fiscal. Essa emissão esteve ancorada de um lado, no absurdo de um poderio militar e de outro, no consumo alavancado por um endividamento irresponsável e sem limites.

A pasmaceira dos indolentes facilitou a vida dos espertos durante 65 anos. Os Estados Unidos gozaram o privilégio de emitir dinheiro sem garantia alguma. Em setembro de 2008, a bomba relógio da emissão sem lastro explodiu no colo do ''Tio Sam'', causando forte ruptura no sistema financeiro mundial.

Contaminado pelo descalabro de uma gestão financeira ruinosa e comprometedora, a economia estadunidense começou a definhar. Brotou uma séria desconfiança no mercado financeiro em relação à saúde econômica dos Estados Unidos. O dólar não parou e não vai parar de cair.

Este fato lança os Estados Unidos na vala da ''débâcle cambial''. Anterior a setembro de 2008, a bancarrota preanunciada constituía-se, segundo os analistas do mercado, um mero catastrofismo dos agourentos descrentes da capacidade do ''colosso econômico americano'' de extrair forças adicionais de si mesmo, como se fosse um eterno moto contínuo.

A crise transformou a esperança dos ingênuos numa mera fantasia.

O empobrecimento dos Estados Unidos é real e se expressa na incapacidade da moeda americana de aguentar o tranco, como vem ocorrendo desde outubro de 2008. O mundo mudou. O dólar transformou-se em moeda abalada, desacreditada e problemática.

Dólar hoje. Melhor não ter!

Para os países detentores de elevadas reservas em moeda americana a situação é extremamente perigosa.

O Brasil, menos atingido pela crise financeira mundial e, tendo uma economia turbinada por potencialidades ''oxalá divinas'', sairá desta situação melhor do que entrou. Graças ao bom DEUS, sempre brasileiro, ao Brasil foi dada uma grande oportunidade de se livrar da armadilha do dólar sem lastro.

Comprar dólar por quê? - Estocar dólares, jamais?

O Brasil, pelo que tem e pelo que produz, possui garantias reais. Não precisa realizar empréstimos para financiar o seu desenvolvimento. Ele pode emitir dinheiro com lastro em ''ouro negro'' do pré-sal.

Esta proposição exige apenas superação conceitual.

Veja os números:

As medições preliminares ponderam a existência de uma reserva exuberante de petróleo encravada na plataforma marítima brasileira, cuja área estendida, mede 112 mil quilômetros quadrados. Especialistas ponderam a possibilidade de que este campo de petróleo seja contínuo. Daí a preocupação em torno de um novo marco regulatório, de modo a evitar que esse petróleo seja sugado de áreas não licitadas. Das 48 áreas que estão sendo exploradas na Bacia de Santos, somente 10 são de exclusividade da Petrobrás.

Então, todo cuidado é pouco!

Para Newton Monteiro, ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo, ''o pré-sal pode guardar 338 bilhões de barris.''

Estas previsões, se confirmadas, tornariam o Brasil o maior detentor de reservas provadas no mundo, superando de longe a Arábia Saudita - Hoje com 264 bilhões de barris.

Os analistas do Goldman Sachs estimam que no final de 2010 o preço do petróleo ficará próximo de US$ 100 o barril, em face, principalmente, do retorno da escassez de energia no mundo.

Estas expectativas consideram que a renda potencial do Brasil, com petróleo, se elevaria a US$ 33,8 trilhões, correspondendo a 2,3 vezes o PIB dos Estados Unidos e 19 vezes o PIB brasileiro.

Por muito menos, os Estados Unidos invadiram o Iraque de Saddan Hussein. As reservas do Iraque estavam avaliadas em 134,9 bilhões de barris, metade da reserva estimada por Newton Monteiro.

As emoções no curso dos debates sobre as potencialidades do pré-sal não são novas, elas surgiram nos anos 1970. Desde então, os engenheiros da Petrobrás já falavam da existência de uma reserva gigantesca, em águas extremamente profundas no litoral brasileiro. Todavia, não dispunham de tecnologia para a sua prospecção. No ano de 1979, a Petrobras conseguiu perfurar poços profundos na bacia de Campos, mas as descobertas não foram animadoras.

Em 2005, os ânimos foram recobrados com a descoberta do mega campo de Tupi, com reserva estimada entre cinco e oito bilhões de barris de petróleo. O campo de Tupi bastou para colocar o Brasil entre os dez maiores produtores de petróleo do mundo.

Num primeiro momento, o ''Credit Suisse'', em relação ao pré-sal, considerou um potencial de reservas da ordem de 37,3 bilhões de barris de óleo equivalente (BOE). Num segundo relatório, esses mesmos analistas ponderaram quantitativos entre 46,2 e 53,4 bilhões de barris.

Uma vez monetizada a reserva física de gás e petróleo, ela se transforma numa montanha dinheiro, que por si só convalida o sistema de partilha.

A ocasião é propícia para que o Brasil se solte das amarras do neoliberalismo que marcha em oposição ao progresso.

O remédio é simples e abaixo descrevo:

O preço do petróleo na superfície, pronto para embarque, é de US$ 70,00 o barril. O custo de extração no pré-sal está superestimado em US$ 20,00 o barril, que corresponde a R$ 34,00.

A quantidade física, segundo os especialistas, ficaria entre um mínimo de nove e um máximo de 50 bilhões de barris. Esses números ponderam uma média louvável de 30 bilhões de barris.

O sistema exige superação conceitual...

A superação consiste na monetização das reservas a preço de mercado. Uma vez monetizada, o valor correspondente é depositado como reserva estratégica do país, a cargo do Tesouro Nacional no total de R$ 3,57 trilhões.

Constituída a ''Reserva Estratégica'' - o Tesouro Nacional pode evidentemente emitir moeda nacional limitado ao custo superior de extração do pré-sal, estimado em R$ 34,00 reais por barril. Esse valor corresponde a um aporte financeiro de R$ 1,0 trilhão, destinados ao financiamento da extração do petróleo e gás na camada do pré-sal e da infraestrutura dela decorrente via BNDES. Os empréstimos contratados se convertem automaticamente na securitização adicional em nova lavra conceitual.

O valor restante de US$ 50 por barril, que correspondente ao preço atual do petróleo na superfície, se converte, automaticamente, numa reserva estratégica adicional que eleva o poder absoluto do Real nas relações de troca (bilaterais) como ocorre hoje com o petróleo árabe.

O ''petroreal'' seria a marca patente da moeda brasileira no mercado internacional, com aceitação induzida à luz da garantia real contida na plataforma marítima do Brasil.

Esta proposição exige apenas superação conceitual.

* Almir Rockembach é economista

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