Operários têm aulas dentro de caminhão
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Nos últimos 10 dias, um caminhão-baú transformou-se numa sala de aula para 56 funcionários de indústrias plásticas da região de Londrina. O veículo estacionado no pátio do Senai pertence à escola Laurentino de Freitas, de São Paulo, que foi contratada pelo Sindicato da Indústria de Materiais Plásticos do Norte do Paraná (Sinplas) para oferecer cursos gratuitos de reciclagem aos operários de sua base.
Até a próxima segunda-feira, o grupo receberá informações sobre 'Preparação e Regulagem de Máquinas Injetoras' e 'Troca de Molde Rápido' que serão úteis na fabricação de peças para a indústria de embalagens, construção civil e móveis. A cada período do dia, 14 alunos participam das aulas ministradas por Marcos Torezan com o auxílio de apostilas, retroprojetor, videocassete e ar-condicionado. ''Uma oportunidade como essa é muito rara. Por isso, eles estão aproveitando ao máximo'', disse o professor que, anualmente, percorre milhares de quilômetros levando conhecimento teórico e prático pelo Brasil inteiro.
Uma máquina injetora de 2,5 toneladas instalada dentro do baú facilita o aprendizado que enfatiza também a importância da segurança no trabalho. Segundo Sueli de Souza Baptisaco, presidente do Sinplas, o maior problema das indústrias é a falta de mão-de-obra qualificada. ''Em comparação a outros centros como, por exemplo, São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), estamos muito atrasados. Por isso, precisamos de parceiros que dividam conosco o investimento em novos cursos'', disse Sueli.
A Escola Laurentino de Freitas é a única do País especializada no ensino técnico voltado à indústria de plástico. Na opinião de Torezan, um profissional preparado é sinônimo de segurança, qualidade do produto, menos desperdício, redução de custos, ganho de tempo e produtividade. Marcos Pereira, encarregado de injeção plástica na Plásticos Bonsato (Ibiporã), e Alexandre Antonio, encarregado de injeção e extrusão na Plastimóveis (Rolândia), fazem parte do grupo vespertino. Este é o primeiro curso de reciclagem para ambos que aprenderam o ofício no 'chão da fábrica'. ''Esse certificado acrescentará muito em nosso currículo'', disseram os operários que há cinco anos dedicam-se ao setor.


