Operários querem tocar obras paradas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de setembro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Os trabalhadores da construção civil que trabalham para Encol vão propor hoje aos mutuários tocar as obras paradas sem a participação da construtora. A sugestão será apresentada em reunião que contará com a participação da Associação Paranaense e Catarinense dos Clientes da Encol e com o Sindicato das Empresas da Construção Civil (Sinduscon). A gerência regional da empresa também foi chamada.
Segundo o secretário de Formação e Estudos Sócio Econômicos do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Davi de Vasconcelos, a alternativa foi apresentada pelos próprios trabalhadores. Sem salário há quatro meses, eles se oferecem para continuar as obras desde que os mutuários se comprometam a pagar diretamente a eles.
O sindicato calcula que entre 250 e 300 trabalhadores está sem salários. De vez em quando eles recebem R$ 20 ou R$ 30. Teve uma vez que deram uma cesta básica, reclamou Vasconcelos. Os operários não podem procurar outro emprego, pois não conseguem a rescisão contratual.
Nem os mutuários nem o Sinduscon sabia ontem da idéia dos trabalhadores. Estamos indo para ouvir a proposta deles, informou a presidente da Associação Paranaense e Catarinense dos Clientes da Encol, Glória Neves. A associação foi fundada há uma semana em âmbito estadual e já engloba os clientes da Encol em Santa Catarina. Na sexta-feira, eles fazem nova reunião para definir como recuperar os imóveis.


