Operários protestam em Rolândia
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sexta-feira, 21 de março de 1997
Maurício Borges, Correspondente 
Josoé De CarvalhoOperários fazem manifestação em frente à Berger: salários atrasadosROLÂNDIA - Operários da Berger Indústria e Comércio de Calçados e Luvas, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), realizaram ontem manifestação em frente à empresa. Eles paralisaram o trabalho e protestaram contra o atraso no pagamento de salários. A Berger mantém 250 funcionários nas unidades de calçados e luvas.
Em piquetes na porta da indústria, alguns operários portavam cheques carimbados e devolvidos, referentes ao salário de janeiro. Um deles era Adailton Aparecido Alves dos Santos, que apresentava cheque no valor de R$ 239,00 e reclamava ainda o recebimento do 13º salário, parcelado pela indústria. Segundo os grevistas, mais de 80 cheques acabaram devolvidos por conta encerrada e ainda não foram recebidos.
Participaram do ato de protesto cerca de 60 funcionários, que prometeram para segunda-feira manifestação maior, com a adesão de todos operários das duas unidades. Entre os manifestantes, várias donas de casa lamentavam estar com água e luz cortados e passando necessidades, devido aos salários em atraso. Outros operários disseram ter sido obrigados a assinar cartas de advertência. Eles afirmaram ainda terem sido avisados que não irão receber os dias parados e que correm risco de demissão.
Incidente Durante a manifestação, a Polícia Militar foi chamada pelos grevistas, que apresentaram queixa contra o chefe de segurança das empresas do Grupo Berger, Clodoaldo Dantas. Segundo os operários, Dantas passou várias vezes pelo local do protesto e teria jogado o carro - um Santana da empresa -, sobre um dos manifestantes. O veículo atingiu a bicicleta de Claudemilson Alex Cardoso de Sá, da indústria de calçados, que ficou bastante danificada. O operário caiu, mas não sofreu ferimentos.
O engenheiro Roberto Berger, diretor da Berger Indústria e Comércio de Calçados e Luvas, explicou à Folha de Londrina que a empresa enfrenta dificuldades momentâneas de caixa, devido à inadimplênncia de dois clientes. Trata-se de duas empresas de Franca (SP), que recentemente entraram em concordata, e deixaram de cumprir compromissos assumidos com a nossa empresa, lamentou o empresário.
Berger contestou informações dos grevistas, argumentando que existe um atraso no salário de parte dos funcionários da unidade de calçados e que, do pessoal da unidades de luvas, quem trabalhou ontem recebeu seu salário. Quanto aos cheques da empresa devolvidos pela rede bancária, o empresário explicou que isso aconteceu justamente devido à situação de inadimplência de clientes da Berger. Restam apenas três cheques para pagar, cujos operários não foram localizados pela empresa, garantiu. Para Roberto Berger, a maioria dos manifestantes são jovens sem responsabilidade e que não entendem o problema momentâneo que a indústria enfrenta atualmente.


