Operários param serviço por atraso no pagamento
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terça-feira, 08 de abril de 1997
Luciane Tonon 
CORNÉLIO PROCÓPIO - Cerca de 50 funcionários da empresa Eletrotrafo - fábrica de transformadores de Cornélio Procópio -, paralisaram os serviços ontem por atraso de pagamento. A empresa abriu concordata há dois anos e sua dívida acumulada é de R$ 3 milhões.
Fundada há 12 anos, a Eletrotrafo tem capacidade de produção de 15 transformadores/dia e conta hoje com 62 funcionários. No início do ano tinha mais de cem funcionários. Em fevereiro 40 deles foram demitidos.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Londrina e Região, Sebastião Raimundo da Silva, os salários estão sendo pagos com atraso desde outubro de 96. E os salários de fevereiro e março ainda não foram pagos. Sem contar que desde abril de 96 a empresa não deposita o Fundo de Garantia para os funcionários.
O sindicalista acredita que os empresários estejam usando de má fé com os funcionários uma vez que até o início do ano eram duas empresas que trabalhavam juntas e agora se separaram. Eles querem falir uma das empresas para não pagar as dívidas, afirmou. Segundo Silva, os 40 funcionários demitidos em fevereiro ainda não receberam o acerto da rescisão contratual.
O advogado da empresa, Dario Alves, diz que em nenhum momento a empresa quis prejudicar os funcionários. De acordo com o advogado, há 45 dias a empresa mudou de direção, e está colocando a casa em ordem.
Segundo Alves, até o final do ano passado a empresa trabalhava com capital de giro ilusório. Eles faturavam em cima de pedidos e depois trabalhavam para cobrir os prejuízos, afirmou. Atualmente foram investidos R$ 100 mil na compra de matéria-prima e a empresa decidiu parar com os faturamentos adiantados. Tivemos que reduzir a produção. Assim que a situação voltar ao normal haverá novas contratações, afirma.
Alves informou ainda que até o final da semana os salários serão pagos. Segundo ele, só faltam 20% dos salários de fevereiro para serem acertados. Hoje de manhã, os funcionários participam de assembléia para decidir se entram em greve.


