Operários guardam bens da empresa
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segunda-feira, 25 de agosto de 1997
Célia Baroni Londrina 
Dorico da SilvaAcampamentoMais de 100 carpinteiros, pedreiros e serventes juntaram-se na Encol e seguiram para a Nussem, em CambéA notícia de que vários equipamentos da Nussem, fábrica da Encol, em Cambé, estariam sendo retirados e levados para Brasília para desativação da fábrica, mobilizou os trabalhadores da empresa. Mais de 100 homens, entre carpinteiros, pedreiros e serventes, se reuniram ontem de manhã em frente à sede da empresa, na avenida Juscelino Kubitschek (centro), indo em seguida para Cambé.
Eles montaram um acampamento em frente a Nussem para evitar que outros equipamentos sejam retirados da empresa. É que, na sexta-feira, uma Kombi da empresa foi confiscada pela justiça. Estas podem ser as únicas garantias dos trabalhadores receberem seus direitos, afirma. A guarda vai ser mantida por período indefinido, em sistema de rodízio.
Os 180 trabalhadores do setor operacional da empresa, em Londrina, estão com os salários atrasados há cerca de dois meses e, segundo a entidade, a empresa não tem pago benefícios como vale alimentação, nem depositado Fundo de garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ou INSS há mais de dois anos.
O carpinteiro Celso Marques de Oliveira, 60 anos, trabalha há cinco anos e quatro meses na Encol e diz que não acredita mais nas promessas da empresa. Empresa e sindicato se reuniram e a Encol se comprometeu a depositar parte dos direitos trabalhistas do pessoal, para poder começar a fazer as rescisões. Mas não cumpriu, disse. Segundo ele, ontem seria o sorteio da primeira turma, mas não apareceu ninguém da empresa. Já não acreditamos mais na possibilidade de manter nossos empregos. Só queremos mesmo é receber os direitos trabalhistas para poder procurar outro trabalho, afirma.
A falência da Encol pode ser decretada a qualquer momento. Esta semana, os bancos credores da empresa desistiram da tentativa de viabilizar uma saída. Afirmaram que não existem dados confiáveis sobre a situação contábil da empresa e que é impossível saber o número de credores e devedores. O balanço do ano passado da empresa deve acusar um rombo de cerca de R$ 700 milhões.
Enquanto isto, sem dinheiro, a empresa mantém seus funcionários, 12 mil em todo o País, amarrados. Eles têm carteira assinada, e como a empresa não dá baixa nas carteiras de trabalho porque não tem como pagar as verbas rescisórias, os empregados também não podem assumir outro trabalho. O funcionário só tem duas opções: ou espera até a situação se resolver ou aceita que o sindicato dê baixa na carteira de trabalho e vai procurar outro trabalho, afirma o diretor financeiro do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, José Aparecido Martins.
Por enquanto, não há possibilidade de acordo com a empresa. A Encol não tem dinheiro, diz. Ele enfatiza que o sindicato não orienta o trabalhador a aceitar a baixa via entidade, mas vai respeitar a opção da categoria.
A Folha procurou a direção da Encol em Londrina, mas não encontrou nenhum dos diretores da empresa na cidade. Orientada a procurar a assessoria da empresa em Brasília, a Folha foi informada que a empresa não trabalha mais para a Encol. Ontem, na Encol em Brasília, ninguém atendia o telefone.


