Cláudia Lopes
De Londrina
A direção da Elevadores Atlas descartou ontem a possibilidade da empresa conceder aumento salarial aos 600 funcionários que trabalham na fábrica em Londrina. O diretor José Ricardo da Silva disse à Folha que a recessão econômica do País e o prejuízo de R$ 12 milhões sofrido pela Atlas no primeiro semestre deste ano, por causa da desvalorização cambial, deveriam ser considerados pelos funcionários. ‘‘O momento não é propício para ‘‘reivindicações’’.
Cerca de 100 funcionários da Atlas realizaram uma assembléia, ontem, com o Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina a fim de elaborar uma pauta de reivindicações que deverá ser entregue à direção da empresa na segunda-feira. ‘‘Uma greve pode ser deflagrada, caso a Atlas não aceite negociar’’, disse o presidente do sindicato, Sebastião Raimundo da Silva.
O diretor da Atlas garantiu que as ‘‘portas’’ da empresa estão abertas ao sindicato. ‘‘Podemos considerar os pedidos dos funcionários, no futuro’’, disse José Ricardo da Silva. Sebastião Raimundo garantiu, porém, que as negociações estão paradas desde maio. ‘‘Depois da compra da maioria das ações pela Schindler, não conseguimos mais negociar’’.
As principais reivindicações dos trabalhadores da Atlas são um aumento de 10% que, segundo eles, foi prometido pela empresa na época da contratação para depois do período de experiência, além de 20% sobre o salário atual. Os funcionários recebem entre R$ 217 e R$ 541. Em média, ganham um terço do salário dos funcionários da empresa em São Paulo, segundo o sindicato.
‘‘Nunca prometemos aumento para depois da efetivação. Além disso, viemos para Londrina para operar com os salários de mercado da região. Não queremos criar problemas para as demais companhias’’, disse José Ricardo.
A vereadora Elza Correia fez um pronunciamento anteontem, na Câmara, ressaltando a importância do poder público acompanhar de perto a instalação das indústrias que atrai para o município. ‘‘Damos terreno e benefícios fiscais, mas precisamos garantir que a maioria das vagas seja ocupada por londrinenses, além de salários justos’’.

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