Curitiba – Mariluce Schlickmann, 25 anos, trabalhadora da linha de produção da fábrica Volkswagen/Audi, em São José dos Pinhais, que estava grávida de aproximadamente seis semanas, abortou no dia 7 de março, depois de passar dois dias reclamando de muitas dores no ventre, mas não obter permissão de sua chefia para ir ambulatório da empresa.
A denúncia foi publicada no boletim do dia 11 do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e foi apresentada, ontem, em audiência no Ministério Público do Trabalho, com representantes do sindicato e da empresa. O sindicato quer que a procuradoria apure as responsabilidades no caso. Segundo o sindicato, os dois chefes imediatos do setor teriam sido demitidos por não terem atendido Mariluce.
De acordo com Mariluce, ela tinha uma consulta médica pré-agendada, mas, mesmo com dores, acabou faltando porque o monitor de seu setor achou desnecessário. ‘‘Gravidez não é doença’’, teria dito. Como no dia seguinte as dores continuaram fortes, ela insistiu novamente para ir ao médico, mas só foi liberada depois de ‘‘ficar meia hora ouvindo sermão’’ na sala do chefe. Ao chegar no ambulatório, foi encaminhada imediatamente à Nova Clínica, em São José dos Pinhais.
A assessoria da Audi disse ontem que a atividade que Mariluce desempenha na fábrica não provoca riscos de aborto e que no ambulatório ninguém sabia que ela estava grávida. A demissão dos chefes, ainda segundo a assessoria, não tem relação o problema da funcionária.

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