Curitiba - Um acordo pode por fim à fila de caminhões em Paranaguá. Em reunião realizada ontem, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) entrou em consenso com os exportadores e prometeu priorizar a atracação de navios de grande porte, que carregam mais de 55 mil toneladas de produtos. Essa preferência, no entanto, está condicionada ao compromisso dos exportadores em programarem antecipadamente a atracação de navios, conforme determinação do superintendente da Appa, Eduardo Requião.
Mas parece que o consenso parou por aí. Os operadores portuários que participam de aproximadamente 15 entidades usuárias do porto saíram da reunião e divulgaram um manifesto, no qual pedem a demissão de toda a diretoria do porto, inclusive do superintendente, irmão do governador Roberto Requião (PMDB).
Conforme uma fonte da Folha no porto, pode haver paralisação das operações no dia de hoje. O porto já estava semi-paralisado ontem com o bloqueio dos caminhoneiros à frente do pátio de triagem. Os caminhoneiros estavam impedindo o descarregamento de mercadorias no silo público. Hoje, o movimento deve se estender para todas as operações portuárias com a iniciativa dos operadores.
No manifesto, as entidades alegam que empresas de importação e exportação, armadores, sindicatos de trabalhadores, terminais portuários estão sendo hostilizados pela direção do porto. Como consequência está havendo perda de investimentos e agravamento do sucateamento das instalações portuárias.
Com o bloqueio do pátio de triagem, a fila de caminhões aumentou ainda mais. Ontem ela atingiu o quilômetro 69, quase no Contorno Leste, perto de Curitiba. As entidades representantes dos caminhoneiros que estavam em Paranaguá não descartaram a ocorrência de uma greve nacional da categoria para pressionar os embarcadores de mercadorias a pagarem a estadia para os caminhoneiros.
Eduardo Requião lamentou a ausência do representante do Ministério dos Transportes, José Eduardo Albaneze, na reunião. Após o consenso sobre a fila de navios houve impasse na solução para os caminhões. Nenhum operador quis se responsabilizar pelo pagamento das estadias para os caminhoneiros, alegando que a responsabilidade deve ser dos embarcadores da carga, disse Nelson Canaã, líder do Movimento União Brasil Caminhoneiros. Segundo ele, não foram os caminhoneiros que provocam as filas e por isso exigem o pagamento da estadia.

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