Operadores não ficaram satisfeitos com acordo
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quarta-feira, 24 de março de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os operadores portuários retomaram as atividades, mas não ficaram satisfeitos com o desfecho da paralisação. O presidente do Sindicato dos Operadores Portuários (Sindop), Edson Cezar Aguiar, não foi recebido pelo governador. Os operadores apresentaram uma pauta com 31 reinvindicações que ficaram de ser analisadas pela superintendência do porto. Nenhuma delas foi atendida formalmente.
Os produtores rurais usuários do porto, representados pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep) também não ficaram satisfeitos. De acordo com o assessor econômico da entidade, Carlos Augusto Albuquerque, a movimentação em Paranaguá só volta ao normal quando o governo do Estado se dispuser a fazer as obras necessárias no porto e quando houver discussão das normas administrativas que originaram o episódio da paralisação.
Segundo ele, as cooperativas não têm como enviar de uma só vez 2 mil caminhões para encher um navio de grande porte, como determina a medida administrativa.
Albuquerque, que foi chamado de ''ratazana'' pelo governador Requião, durante programa de televisão, devolveu a ''gentileza'', chamando-o de ''mentiroso''. Segundo Albuquerque, o governo do Estado não pode gastar o caixa de R$ 160 milhões na construção do Cais Oeste porque esse dinheiro é carimbado para investir em melhorias do cais existente.
Segundo Albuquerque, desse total mencionado pelo governador, R$ 28 milhões são de contribuições voluntárias dos agentes portuários que concordaram em recolher um percentual sobre a movimentação para repassar à superintendência do porto para fazer a dragagem que está parada há um ano.
Enquanto os ânimos não se acalmam no Paraná, o governo federal finalmente se manifestou. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, determinou uma comissão com representantes do ministério e da Câmara dos Deputados para negociar com o governador uma solução para os problemas que atingem o porto. ''Vamos esgotar todas as tentativas de diálogo e evitar qualquer espécie de medida drástica'', disse o ministro em nota distribuída ontem pelo Ministério dos Transportes.
O ministro se reuniu em Brasília no início da tarde com empresários e trabalhadores do setor portuário, produtores e parlamentares para discutir a situação, que está prejudicando exportações brasileiras. Da comissão fazem parte o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Carlos Alberto Nóbrega, o diretor de Gestão de Programas Aquaviários do Ministério dos Transportes, Paulo de Tarso Carneiro, e a deputada Telma de Souza (PT-SP), presidente da Comissão de Viação e Transporte da Câmara.
Os integrantes do grupo recebido pelo ministro chegaram a pedir uma intervenção federal no Porto de Paranaguá, mas, segundo o ministério, saíram da reunião satisfeitos com a iniciativa do ministro Alfredo Nascimento de manter o diálogo. (Colaboração de Agência Estado)


