Operadores de telecomunicação podem demitir 30 mil até 2002
As operadoras de telecomunicações poderão demitir 30 mil funcionários até o final do próximo ano, segundo estimativa da Federação dos Trabalhadores de Telecomunicações (Fittel). O número inclui trabalhadores terceirizados e tem como base a previsão de que pelo menos 50% das 60 mil pessoas que trabalham em implantação de rede e instalação de telefones serão dispensadas após o cumprimento das metas de universalização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) definidas para 2003 e que estão sendo antecipadas pelas operadoras. Apenas três empresas do setor já demitiram 1.200 funcionários na última semana.
O analista de Telecomunicações do banco Pactual, Ricardo Kobayashi, disse que é muito difícil fazer estimativas do número de trabalhadores que ainda serão dispensados no setor, mas adiantou que ''o impacto será grande'' quando as metas de universalização forem definitivamente cumpridas. ''Ainda há um ajuste grande para ser feito até o final do ano que vem. No início de 2002 haverá uma nova rodada de demissões'', afirmou.
A Embratel confirmou ontem que demitiu 630 trabalhadores nesta semana, sendo 400 na operadora e 230 no setor de call center. A Brasil Telecom também confirmou o afastamento de 250 empregados nesta semana, enquanto a Telemar, que segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio de Janeiro (Sinttel-RJ) teria demitido 300 funcionários na semana passada, informou, por meio da assessoria de imprensa, que não confirma os números ou fala sobre o assunto.
Kobayashi avalia que uma parte pequena dessas demissões está relacionada ao desaquecimento econômico por causa da redução da demanda de clientes corporativos, mas a maioria dos cortes diz respeito aos ajustes e busca de eficiência das empresas. ''É parte do jogo desse negócio'', disse.
O diretor de Recursos Humanos da Embratel, Joaquim de Souza Correia, disse que a empresa optou pela demissão conjunta dos 630 funcionários para que não fosse criado ''um clima de terror'' entre os trabalhadores, que poderiam ficar na expectativa de novas demissões até que o ajuste fosse concluído. Ele garantiu que ''não há previsão'' de novos cortes até o final deste ano. A empresa mantém 7.200 funcionários na operadora e 4.400 no call center. Na próxima segunda-feira haverá reunião da empresa com o Sinttel para discutir o assunto.
A Brasil Telecom explicou, via assessoria, que o seu processo de reestruturação está praticamente concluído e que está ocorrendo uma ''renovação de funcionários'' nas áreas de marketing, faturamento e administrativa. A empresa diz que vai contratar novos funcionários, mas o número ainda não está sendo divulgado porque é parte da estratégia de negócios de 2002. A operadora tem reunião com a Fittel na próxima quarta-feira.
O presidente da Fittel, José Zunga Alves de Lima, disse esperar uma ampliação do número total de trabalhadores em telecomunicações do País, hoje estimado em 150 mil, para 400 mil ao final dos próximos cinco anos. No entanto, sua avaliação é que haverá redução de salários e ''precarização'' do mercado de trabalho, com mais terceirização. ''O mercado vai se ampliar, mas terá características totalmente diferentes, piores para os trabalhadores'', disse.





