Operadoras lutam pela sobrevivência
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de outubro de 2000
Gustavo Paul Agência Estado 
A luta pela sobrevivência no setor de telefonia celular já começou, antes mesmo da entrada em operação dos três novos concorrentes, a partir do ano que vem. O governo ainda discute as novas regras para o serviço, mas desde julho as operadoras que atuam no País estão em pé de guerra com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), tentando conter perdas financeiras com a entrada dos competidores das bandas C, D e E. Está em jogo um mercado que deve crescer três vezes de tamanho em cinco anos, chegando a mais de 60 milhões de clientes e que deve consumir R$ 22 bilhões em investimentos nese período.
A divulgação no início de outubro do regulamento do Serviço Móvel Pessoal (SMP), que irá suceder o atual Serviço Móvel Celular, em que atuam as empresas das bandas A e B, tirou algumas dúvidas, mas não afastou a impressão de que as atuais operadoras terão de jogar por terra todo o planejamento de mercado feito há quatro anos, quando entraram no País. As empresas celulares reclamam que o novo cenário montado pela Anatel significa, na prática, alterações importantes nas regras do setor, pouco após as licitações, prejudicando os planos de negócios feitos para durar pelo menos os 15 anos de vigência da concessão.
As principais vítimas foram as concessionárias da Banda B, que como dizia o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, compraram apenas vento, ou seja, a possibilidade de operar um serviço que não existia. As empresas da banda A, oriundas do Sistema Telebrás, estão mais confortáveis, pois contavam desde antes da privatização com um mercado cativo, instalações, equipamentos e acesso ao capital.
Para uma empresa do setor, o preço pago pelas concessões e os valores a serem investidos foram calculados de acordo com estimativas de retorno dentro de um arcabouço regulatório predeterminado e entendido como estável durante o período programado para o retorno do investimento, afirma o ex-ministro Maílson da Nóbrega, da consultoria Tendências, em um parecer sobre as mudanças.


