Operadoras de celular esperam desaceleração
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domingo, 13 de fevereiro de 2005
Renato Cruz<br>Agência Estado 
São Paulo - Márcia Helena Ohl, diretora da Maringá Turismo, tem seis aparelhos de celular. Três da empresa e três de uso pessoal. Quando um deles toca dentro do bolsa, é difícil descobrir qual é? ''Não, são como filhos'', brincou Márcia. ''Podem ser gêmeos, que a mãe sabe qual deles está chorando.'' Na empresa, o perfil dos clientes impõe o uso de vários telefones móveis. Ela tem um celular da Vivo para ligar para pessoas da Vivo, um da Claro para ligar para pessoas da Claro e um da Nextel para ligar para pessoas da Nextel.
Para uso pessoal, ela ganhou um computador de mão com celular da Vivo do marido, que não conseguia falar com ela mesmo com tantos aparelhos. O número dele só é divulgado para familiares. Uma amiga lhe presenteou com um outro, depois de participar de uma promoção com chamadas grátis entre dois telefones da operadora por um ano. O terceiro ela recebeu para auxiliá-la em um trabalho voluntário, que faz para um hospital. ''No começo, a gente fica meio louca com tantos celulares'', explicou Márcia, que recebe cerca de R$ 2 mil em contas de telefone móvel por mês. ''Depois, vai administrando.''
Usuários de celulares como Márcia - que se classifica como uma aficionada por eletrônicos - ainda não são muitos no Brasil, mas não em mercado mais desenvolvidos. Países europeus como a Espanha e a Itália já tem mais celulares do que habitantes. Como bebês não usam telefones móveis, já não é incomum nesses países adultos com duas ou três linhas.
O Brasil ainda está longe de ter mais celulares que pessoas. Ao fim do ano passado, havia 36,6 celulares para cada grupo de 100 habitantes. Mesmo assim, as operadoras preparam-se para uma desaceleração. Depois de ter crescido 41% em 2004, para 65,6 milhões de assinantes, a expectativa de avanço para este ano é de pouco mais de 20%. O principal motivo é o preço do crescimento, pois os aparelhos são subsidiados pelas operadoras.
''Todas as operadoras estão preocupadas com o resultado'', afirmou o presidente da TIM Brasil, Márcio Cézar Pereira de Araújo, para quem devem ser vendidos 4 milhões de celulares a menos este ano, quando compararmos o resultado a 2004. A aposta da empresa para se diferenciar em um mercado que, em alguns Estados, existem quatro operadoras competindo, está na cobertura nacional, com voz e dados, e no lançamento de novos serviços, como a TV via celular e soluções para empresas. ''Estamos alinhados com o que é oferecido de mais moderno pelo grupo lá fora.''
Na Europa, onde todas as operadoras usam a tecnologia GSM, alguns clientes têm uma linha para o telefone, outra para o computador portátil e uma terceira para o carro, que usa os serviços de comunicação da rede celular. Além disso, não é incomum as pessoas terem chips de mais de uma operadora, que podem trocar e usar em seu celular dependendo das vantagens oferecidas no momento. ''A diferença lá fora é que não existe contrato de fidelidade'', explicou Araújo. ''Aqui, dependendo do plano, tem um bloqueio, que faz o cliente permanecer na operadora por um determinado período.''
O diretor de Marketing Estratégico da Vivo, André Mastrobuono, destacou que as empresas já começaram a reduzir subsídios. Segundo o Buscapé, site de pesquisa de preços, o valor médio do celular estava em R$ 646,25 no mês passado, comparado a R$ 620,56 em dezembro. ''A demanda é uma questão de preço'', afirmou o executivo. ''Se eu der celular de graça, terá fila na porta.''
Para o analista Luis Minoru Shibata, do Yankee Group, afirmou as empresas também estão conseguindo reduzir o subsídio ao obter descontos maiores dos fabricantes, devido à competição crescente entre os fornecedores de celulares. ''Vender aparelhos sempre vai ser uma conta negativa para as operadoras'', afirmou o analista. ''Por isso, o subsídio deve ser mais inteligente, atrelado a um longo contrato ou à utilização de serviços de dados.''


