São Paulo - As operadoras de celular encontraram uma alternativa para ampliar seu cadastro de clientes pós-pagos entre a sua base de usuários pré-pagos. Como este último goza de uma predominância incontestável, com praticamente dois terços da planta brasileira, as empresas de telefonia móvel foram atrás dos 'heavy users' dessa categoria para oferecer um plano misto.
A idéia é oferecer determinado número de minutos no serviço pós-pago. Se o cliente ultrapassar esse limite dentro do período da mensalidade, o telefone dá um aviso e, se quiser falar mais, compra um cartão pré-pago. A proposta é interessante para o usuário, pois o minuto do pós é em média 40% mais barato que o pré e garante o controle desejado da conta.
A Telemig Celular foi uma das primeiras a utilizar o sistema com seu plano Controle, lançado em setembro de 2002. Os usuários do plano gastam R$ 29,90, dos quais R$ 5,90 relativos à assinatura e o restante para 40 minutos de conversação. Depois deste limite, o telefone até recebe chamadas, mas para ligar será preciso comprar créditos. ''É o plano pós-pago mais vendido e já representa o segundo da nossa carteira'', conta o diretor de Marketing da empresa, Eric Fernandes.
Outras operadoras já adotam estratégia semelhante. No Rio e Espírito Santo, a Claro (ex-ATL) tem o Perfil Controle, nos mesmos moldes do plano da Telemig Celular, e a Vivo está em fase de estruturação de pacotes híbridos.
O tema, aliás, foi abordado esta semana durante o Billing Congress, no Rio. O principal executivo da área tecnológica para o Caribe e América Latina da empresa americana CSG Systems, Birger Thorburn, participou do evento e avaliou que a oferta de opções desse tipo garante, às operadoras, chances de ganhar mais clientes e de aumentar a receita por usuário.
O assédio aos clientes pré-pagos mais rentáveis com oferta de uma conta mista segue também uma realidade do mercado, acredita o vice-presidente da Associação Nacional dos Prestadores de Serviço Móvel Celular (Acel), Antônio Ribeiro dos Santos. ''O pós-pago está relativamente saturado'', diz. ''As empresas faziam campanha para ter mais clientes pós, mas veio a inadimplência e foi preciso encontrar uma alternativa'', completa.

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