Operadoras de cartão são sócias das empresas
Ninguém contesta que o uso do cartão de crédito, o conhecido dinheiro de plástico, facilita a vida de consumidores e de empresas. Para o consumidor só o fato de não precisar carregar dinheiro em espécie já é um diferencial enorme. É muito mais seguro principalmente nos dias de hoje onde a violência é encontrada em todos os lugares. Para o empresário também há a segurança de receber o que lhe é devido já que o cheque não traz a mesma confiabilidade e credibilidade do cartão de crédito.
As vantagens, no entanto, param por aí. Consumidores e empresários que usam o sistema de cartão de crédito se tornaram reféns das operadoras e vítimas das taxas cobradas. Arnaldo Falanca, dono do restaurante Tomate Seco em Londrina e diretor do Convention Bureau de Londrina, é categórico: É verdade que o uso do cartão traz segurança e facilidade. Mas as operadoras de cartão se transformaram no nosso maior sócio. Este nosso sócio fica com os pés em cima da mesa e rindo de todos nós. Eles devem ter uma estrutura enorme para manter tudo isso funcionando, ironiza Falanca.
Ele sabe muito bem o que está falando. 80% dos clientes do seu restaurante pagam com cartão de crédito. O aluguel mensal de cada maquininha usada para passar o cartão custa entre
R$ 85 e 90. Se o restaurante quiser oferecer um pouco mais de conforto ao cliente e usar aquelas máquinas que podem ser levadas até a mesa do consumidor, o custo de cada uma delas é em torno de R$ 150,00 por mês.
O pior são as taxas de administração. As operadoras cobram de 3% a 5% do valor recebido através dos cartões e a empresa só recebe o montante depois de 30 dias. Já os cartões de débito automático, quando a empresa recebe o valor em 48 horas, a operadora cobra 2,4% sobre o valor pago. Quem ganha tanto em tão pouco tempo? Isso é um furto, afirma Arnaldo Falanca.
O presidente Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e
Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro, diz que margem de lucro das empresas do ramo de alimentos é muito pequena e ela acaba sendo consumida quase em sua totalidade pelas taxas cobradas pelas operadoras de cartão de crédito. Do boteco à multinacional, todos usam o cartão de crédito. O que está acontecendo é um absurdo as operadoras estão afogando as empresas.
Segundo Arnaldo Falanca, como poucas empresas possuem capital de giro suficiente, muitas delas buscam antecipar o recebimento do crédito das vendas feitas através do cartão. E quando isto acontece, deixam mais dinheiro para as operadoras. O empresário tem que negociar muito bem, caso contrário vai deixar mais 3% a 4% nas mãos dos bancos, calcula.
O consumidor também deixa seu naco para as operadoras de cartão. Ele paga para ter o serviço e os juros cobrados por elas, em alguns casos, chegam a 14% ao mês. Considerando uma inflação anual de menos de 4% ao ano pode-se imaginar o ganho que as operadoras têm.
O presidente do Sescap-Ldr lembra que a Constituição de 1988 previa que os juros cobrados no Brasil deveriam ser de no máximo de 12% ao ano. Como todos sabem, isto nunca foi respeitado. Quase 20 anos depois de ter sido promulgada a Constituição, a taxa Selic foi reduzida para 12% ao ano. O que se vê no caso dos cartões de crédito é que existe quase um monopólio. Duas ou três operadoras dominam o mercado e fazem o que querem sob o olhar passivo das entidades de classe que deveriam brigar para reduzir estas taxas, diz Ribeiro.
Ele conta que uma grande empresa do ramo de alimentos em Londrina fatura cerca de R$ 5 milhões a cada três meses. Neste mesmo período gasta R$ 300 mil com a folha de pagamento e paga R$ 85 mil para as operadoras de cartão de crédito. É quase um mês de folha de pagamento.
Arnaldo Falanca está conversando com vários empresários da cidade e será fundada em julho a Associação Bares, Restaurantes e Alimentação Fora do Lar de Londrina (Abrasel). São várias associações como esta em outras regiões do Brasil e elas estão conseguindo alguns avanços. Não podemos continuar pagando taxas tão altas para as operadoras de cartão. Juntos teremos mais força para negociar, explica Falanca.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LDR)





