Operações de crédito para importação caem 70%
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domingo, 20 de abril de 1997
Márcia de Chiara Agência Estado 
SÃO PAULO - As operações de crédito de financiamento de importações com prazo inferior a um ano caíram 70% desde o início do mês, depois que o governo editou a medida provisória que exige que a compra de produtos estrangeiros seja liquidada à vista, no ato da entrada da mercadoria no País. Essa redução, segundo especialistas, já estaria tendo reflexos na balança comercial. Na segunda semana deste mês, a média diária de compras no exterior foi de US$ 239,4 milhões, ante US$ 244,5 milhões na primeira semana.
As operações estão paradas, diz Carlos Eduardo Sobral, diretor da Área Internacional do Banco Schahin Cury e presidente do Forex, associação que reúne profissionais de câmbio e da área internacional. As empresas só não estão sentindo a lentidão nas importações porque ainda têm estoques de peças e componentes.
Enquanto têm produtos, os importadores analisam como vão neutralizar o impacto nas compras externas. Depois das novas regras, em vigor desde o dia 1º, a Mallory, fabricante de eletroportáteis e máquinas de lavar compactas, está trazendo dois ou três contêineres por mês do exterior. Antes, importava 15 contêineres a cada mês com peças, componentes e produtos acabados. Os importados respondem por 18% do faturamento da empresa, de cerca de R$ 100 milhões.
Criou-se um certo impasse no mercado e os bancos estão aguardando instruções, diz o gerente de Comércio Exterior da Mallory, José Cláudio Guidi. Segundo ele, o impacto nas compras externas deve ocorrer no segundo semestre e o custo adicional pode oscilar entre 6% e 8%.
Para neutralizar essa despesa extra, a empresa está renegociando as condições de pagamentos de outros insumos da cadeia de produção, como frete e armazenagem. São 35 insumos que contam na importação de um produto e estamos conseguindo apertar as negociações. Além disso, a empresa está acelerando os projetos de fabricar os produtos importados no País.
A Electrolux, que importa 15% das matérias-primas que consome da Coréia do Sul e dos países da Europa, informa que está tentando negociar com os fornecedores um desconto adicional, equivalente ao custo financeiro, por pagar à vista.
Além disso, conta o diretor-industrial da empresa, Alzeno Lohmann, outra opção é buscar prazo de financiamento superior a um ano. Nesse caso, segundo ele, os fornecedores estrangeiros não estão interessados porque o risco é maior. Para a empresa, não é uma saída interessante porque as taxas de juros são superiores a 9% ao ano.


