São Paulo - O saldo total das operações de câmbio ficou positivo em US$ 973 milhões em janeiro, saindo do vermelho pela primeira vez desde abril de 2002, quando as entradas superaram as saídas em US$ 26 milhões. Esse resultado inclui o fluxo das operações de câmbio comercial (saldo positivo de US$ 1,245 bilhão), das transações financeiras (negativo em US$ 97 milhões) e das contas de não residentes, conhecidas como CC-5 (negativo em US$ 175 milhões).
Para o economista-chefe do Crédit Suisse First Boston (CSFB), Rodrigo Azevedo, o saldo positivo de US$ 973 milhões indica uma melhora, ainda que incipiente, no perfil do financiamento externo do Brasil. Ele ressalta que o saldo se deve principalmente ao saldo expressivo das operações de câmbio comercial, que subiram 16,46% em relação aos US$ 1,069 bilhão de dezembro e 297,76% em comparação aos US$ 313 milhões de janeiro de 2002.
Além disso, o fluxo de transações financeiras - por onde passam as remessas de juros, lucros e dividendos - ficou negativo em US$ 97 milhões no mês passado, 95% inferior aos US$ 2,155 bilhões de dezembro e 85% menor que os US$ 652 milhões de janeiro de 2002. Para ele, as captações realizadas por empresas e bancos brasileiros em janeiro e uma queda nas remessas financeiras explicam esse forte tombo.
O fluxo pelas CC-5 ficara positivo em US$ 26 milhões nos primeiros 12 dias úteis de janeiro, mas as saídas por essas contas aumentaram na segunda metade do mês. Mesmo assim, o saldo de remessas pelas CC-5 foi 53,2% menor que os US$ 374 milhões registrados em dezembro e 56,46% inferior aos US$ 402 milhões que saíram do País em janeiro de 2002. Azevedo considera normal esse resultado pelas CC-5, que registraram um saldo positivo pela última vez em agosto de 1995, segundo números do Banco Central (BC).
O economista-chefe da LCA Consultores, Luís Suzigan, também achou positivos os números do saldo total das operações de câmbio, mas entende que ainda é cedo para acreditar que essa tendência vai se repetir daqui para a frente. Ele diz que, se a aversão global ao risco se intensificar, por causa de uma eventual guerra entre os EUA e o Iraque, o fluxo pode voltar a ficar negativo. Azevedo acredita que o saldo do câmbio comercial deve continuar no azul, mas tem dúvidas se o mesmo vai ocorrer com as transações financeiras se as incertezas externas aumentarem ainda mais.

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