Operações da PF investigam corrupção no Mapa
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terça-feira, 16 de maio de 2017
Bela Megale<br>Folhapress 
Brasília - A Polícia Federal deflagrou nesta terça (16) duas operações que apuram suspeitas de corrupção envolvendo servidores do Mapa (Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento) e empresas fiscalizadas.
Apesar de similares, as operações não têm ligação direta entre si e nem com a Carne Fraca, deflagrada no Paraná, que investiga corrupção em frigoríficos.
Na Operação Lucas, a investigação começou após denúncia de que frigoríficos e empresas de laticínios fiscalizadas teriam sido favorecidas em processos administrativos, por meio do retardamento na tramitação e anulação de multas.
"A PF apurou, por meio de quebras de sigilos fiscal e bancário, que a chefe de fiscalização do Mapa, à época dos fatos, recebia de empresas fiscalizadas valores mensais para custear despesas familiares", diz a nota.
A Polícia afirma que na conta pessoal da investigada foi identificada a diferença de mais de 200% do declarado em seu Imposto de Renda. Também levantou que o suposto esquema criminoso movimentou cerca de R$ 3 milhões entre 2010 e 2016.
A servidora, seus dois filhos - um dos quais teria a faculdade de medicina sendo paga pelo esquema - e seu marido foram presos, de acordo com a PF. As empresas suspeitas de envolvimento no esquema são a Minerva, Frango Norte, Laticínio Veneza, Santa Izabel Alimentos, Masterboi, Laticínio Fortaleza e Laticínios Palac, afirmou o superintendente da Polícia Federal em Tocantins, Arcelino Vieira Damasceno.
Em nota, o Minerva afirmou que colabora com as autoridades para a investigação, segue "rígidas normas de governança corporativa" e que cumpre "toda a legislação aplicável em suas operações, adotando rigorosos padrões de qualidade e segurança".
A Frango Norte afirmou que vai se manifestar por meio de seu departamento jurídico. A Laticínio Veneza e a Masterboi não responderam ao contato da reportagem. Santa Izabel Alimentos, Laticínio Fortaleza e Laticínios Palac não foram localizadas.
Foram emitidos 62 mandados, sendo 10 de prisões temporárias, 16 de condução coercitiva e 36 de busca e apreensão em Palmas (TO), Gurupi (TO), Paraíso (TO), Araguaína (TO), Augustinópolis (TO), Araraquara (SP), Campinas (SP), Santana do Parnaíba (SP), Jundiaí (SP), Fernandópolis (SP), Recife (PE), Belém (PA), Brasília (DF).
Segundo nota da PF, foi determinado bloqueio de contas bancárias e indisponibilidade de bens nos valores de R$ 2,2 milhões. Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção passiva e ativa, cujas penas podem chegar a 12 anos de prisão.
Mapa
Procurado, o Mapa afirmou, por meio de sua assessoria, que está acompanhado a operação e não vai se manifestar por enquanto.
SANTA CATARINA
Também na manhã desta terça uma operação similar foi realizada em Santa Catarina. Batizada de Fugu, ela visa o desmantelamento de um suposto grupo com atuação na Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado.
A investigação apura "evidências relacionadas à proteção ilícita de empresas do ramo alimentício, bem como de perseguição a servidores com atuação na área de fiscalização mediante instauração de procedimentos disciplinares e remoções infundadas", segundo nota da PF.
O levantamento de informações feito pelos policiais foca no setor de pescados do Vale do Itajaí, onde foram obtidos documentos indicativos de suposta proteção ilícita de duas grandes empresas contra a implantação de medidas cautelares determinadas pela fiscalização, tendo sido verificado, ainda, que estas e outras empresas teriam introduzido no mercado pescados importados da China adulterados quimicamente.
Maggi diz que já sabia que outros casos viriam
Ribeirão Preto - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nesta terça-feira, 16, por meio do Twitter e de redes sociais, que "já sabia" que outros casos de suspeitas de corrupção envolvendo servidores viriam à tona após a Operação Carne Fraca e que, por isso, aumentou o rigor nas apurações internas na Pasta que comanda. Foi a primeira declaração do ministro sobre a Operação Lucas, deflagrada nesta terça pela Polícia Federal (PF) para desmantelar esquema de pagamento de vantagens indevidas de sete frigoríficos e laticínios à ex-superintendente substituta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Tocantins, Adriana Carla Floresta Feitosa.
"A Operação Lucas desarticulou um esquema de corrupção envolvendo servidores do Ministério da Agricultura. Os envolvidos serão afastados imediatamente das funções e serão alvo de auditoria que poderá terminar com a exoneração", disse. "Já sabíamos que outros casos viriam à tona. Após a Operação Carne Fraca, aumentamos o rigor nas apurações internas", completou Maggi, que está em missão oficial na Arábia Saudita.
A PF deflagrou ainda a Operação Fugu, que investigou a fraude na importação e processamento de pescado em Santa Catarina, também com o envolvimento de fiscais do Ministério, mas Maggi não fez comentários sobre essa ação.
O ministro comentou ainda que mesmo estando fora do País, "tomou pé" da Operação Lucas e ainda acompanhou a repercussão pela imprensa. Maggi ratificou ainda que o ministro interino e secretário executivo Eumar Novacki está no Brasil e que toma todas as providências sobre o caso.
Novacki adiantou que os servidores envolvidos nas operações da PF em Tocantins e em Santa Catarina serão afastados imediatamente das funções e alvo de auditoria que poderá terminar com a exoneração dos cargos públicos. (Gustavo Porto/Agência Estado)


