Operação prejudica embarques
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de março de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Os estivadores do Porto de Paraná iniciaram ontem uma operação padrão no terminal para reinvindicar melhores salários. A manifestação deve terminar somente amanhã ao meio dia, quando os funcionários decidem se entram ou não em greve. O balanço feito pelo sindicato patronal das operadoras portuárias mostrava que cerca de 100 mil toneladas de soja teriam deixado de embarcar no porto. As exportadoras teriam preferido escoar a produção por portos paulistas e catarineses.
A operação padrão foi deflagrada para exigir uma reposição salarial de 21%. Os estivadores alegam que apenas a categoria deles não foi contemplada com o reajuste em março do ano passado, quando os demais trabalhadores do porto ganharam o percentual. Como eles estão no mês da data-base, decidiram exigir o índice. A dívida salarial das operadoras estaria em R$ 4,5 milhões, segundo o Sindicato dos Estivadores.
O diretor do Sindicado dos Estivadores, Hélio Alves dos Santos, disse que a operação padrão reduziu pela metade a velocidade dos trabalhos. Estamos trabalhando de acordo com o que ganhamos, afirmou Santos. Segundo o diretor sindical, em dias normais os estivadores conseguem colocar 5 mil toneladas de bobinas em um navio. Com a redução do ritmo de trabalho, os estivadores estariam colocando pouco mais de 2 mil bobinas no navio.
A operação padrão pode resultar na greve dos 2,4 mil estivadores. Se não houver uma negociação com as agências operadoras do porto a gente pode parar a partir desta quarta-feira, ameaçou Santos. Ele disse que os estivadores que trabalham com a Cosipa, operadora do Porto de Santos (SP), também enfrentam o mesmo problema e ameaçam parar.
O diretor da R.B Assessoria Sindical, Ronaldo Garcia, disse que a operação padrão não se justifica, porque foram os próprios estivadores que não aceitaram o reajuste de 21% no ano passado. Oferecemos o reajuste duas ou três vezes e eles não aceitaram, afirmou Garcia, que representa o sindicato das operadoras portuárias. Ele garantiu que as operadoras estão interessadas em negociar e fechar uma convenção coletiva de trabalho.


