Operação Poeira desmonta esquema de sonegação
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terça-feira, 09 de novembro de 2004
Vera Barão<br> Reportagem Local 
O cambeense Vanderlei Celestino de Oliveira, 52 anos, preso ontem de manhã pela Polícia Federal (PF) de São Paulo durante a operação Poeira no Asfalto, é considerado o ''braço'' do esquema de sonegação fiscal na região de Londrina. Ele foi preso em uma usina de Catanduva (SP), próxima a Ribeirão Preto, distribuindo notas frias para um usineiro. Com cinco mandados de busca e apreensão, policiais federais de Londrina que participam da operação, aprenderam em Cambé farto material utilizado por ele no esquema de sonegação fiscal praticado por usineiros e donos de distribuidoras. A operação foi deflagrada na madrugada de ontem nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
Os policiais apreenderam 700 notas fiscais, documentos bancários, extratos telefônicos, fax, agenda em celulares, disquetes e cinco CPUs. A maior parte do material apreendido estava na Gráfica Segura, na Avenida Brasil, 1818, em Cambé, pertencente a Carlos Rogério de Oliveira Segura, que prestou esclarecimentos à PF. Ele deverá ser interrogado no inquérito aberto no Rio de Janeiro que investiga a quadrilha.
Na gráfica, foram encontradas as notas fiscais em nome das empresas Arrows Petróleo do Brasil Ltda e Uberlândia Distribuidora de Petróleo do Triângulo Ltda, que formalmente teriam sede em Paulínea, região de refino de combustíveis no estado de São Paulo. Segundo o delegado-chefe da PF, Sandro Roberto Viana dos Santos, as empresas existem no ''papel'', mas são inoperantes.
Os demais documentos foram apreendidos em dois escritórios de propriedade de Vanderlei Celestino Oliveira, nas ruas Chile e Holanda, e em residências onde, em tese, os moradores podem ter alguma ligação com ele. De acordo com o delegado, tudo indica que os escritórios são de fachada:''Ele montou para dar ar de legalidade, mas não se sabe ao certo como os escritórios funcionam'', ressaltou. Existem notas que referem-se a bilhões de litros de álcool. Todo material recolhido será encaminhado à PF do Rio de Janeiro, que vai dar prosseguimento às investigações.
Sandro Viana dos Santos não tem dúvidas de que Oliveira é a ''ponta do esquema no Paraná. Ele era o contato daqui com a quadrilha forte do Rio de Janeiro'', afirmou, acrescentando que o cambeense fazia as notas na gráfica e distribuía nas usinas e distribuidoras com a finalidade de dar suporte à compra e venda de álcool. Segundo o delegado, além de usineiros e distribuidoras. a quadrilha era formada também por funcionários públicos - policiais e fiscais - que facilitavam a passagem dos combustíveis com notas frias nas divisas de Estados. ''Eles carimbavam notas e deixavam passar o produto, fazendo vistas grossas a todo procedimento irregular''.


