GREVE NA RECEITA
Operação-padrão pára fronteira em Foz
Ney de SouzaFiscais e técnicos pedem reposição salarial de 63% e melhores condições de trabalho. Sem resposta, ameaçam retomar os protestos na próxima semana
De Foz do Iguaçu

A greve dos auditores e técnicos da Receita Federal em Foz do iguaçu paralisou a fronteira ontem e promete causar ainda mais transtornos hoje, quarta-feira, um dos dias de maior movimento de sacoleiros em Ciudad del Este, no Paraguai. Durante a operação-padrão, os fiscais revistaram cerca de 80% dos ônibus e carros que passam pela aduana transportando mercadorias importadas do país vizinho.
Na manhã de ontem, a demora na fiscalização provocou um congestionamento de aproximadamente três quilômetros. À tarde, o movimento sobre a Ponte da Amizade foi pequeno.
Como afirma o presidente da Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal) em Foz do Iguaçu, Gilberto Buss, os sacoleiros estão evitando as compras durante os dias de paralisação porque sabem que correm o risco de perder grande parte de suas mercadorias.
Cerca de 500 caminhões esperavam ontem pelo desembaraço das cargas feito pela Receita Federal. Apenas as cargas perecíveis foram liberadas. Estacionados no pátio da Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná) os motoristas calculavam os prejuízos.
O caminhoneiro Adalto Liberto, que transporta equipamentos rodoviários de Curitiba até Assunção, espera seguir viagem ainda na sexta-feira, mas já contabiliza os gastos extras. ‘‘Parado gasto muito mais do que se estivesse na estrada. São 20 reais por dia’’.
O protesto dos auditores fiscais da RF reivindica reposição salarial de 63% equivalente à defasagem acumulada nos últimos cinco anos, manutenção do regime estatutário e melhores garantias de trabalho ao funcionário público.

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