Operação-padrão em Paranaguá ameaça empresas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de julho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A operação-padrão deflagrada pelos fiscais da Receita Federal (RF) no Porto de Paranaguá já ameaça paralisar a linha de montagem de várias empresas que necessitam de peças importadas. Entre os casos mais críticos estão a Intelbras, indústria de telefone de Santa Catarina; a Cortume Viposa, também de Santa Catarina; e a empresa Folha de Londrina.
As montadoras Volkswagen/Audi e Volvo, que igualmente dependem de peças importadas, também estão sendo atingidas com a demora na liberação das peças, mas a linha de montagem dessas empresas está normal. A Volks está fazendo levantamento dos problemas provocados pela operação-padrão dos fiscais da RF.
De acordo com a empresa Pinho Comissária, despachante aduaneiro de várias empresas de porte, está difícil liberar cargas em Paranaguá. Geralmente, a operação de desembaraço aduaneiro leva uma semana, mas com a operação-padrão, as liberações ocorrem somente às segundas e sextas-feiras. De terça a quinta-feira a aduana não libera mercadoria, disse o gerente de importação Rafael Ribeiro Gonçalves.
Segundo Gonçalves, a catarinense Intelbras já não tem peças na linha de montagem. A Cortume Viposa, que importa produtos químicos para tratamento de couro e também couro in natura, não está tendo acesso à mercadoria. Com isso, a empresa está sem condições de cumprir os contratos de exportação.
A Folha de Londrina está com dificuldades para desembaraçar a importação de chapas Offset para impressão do jornal. Segundo o superintendente da Folha, José Eduardo Andrade Vieira, as chapas chegaram em Paranaguá no dia 26 de junho mas a carga ainda não foi liberada. Neste caso, a situação se agravou porque a carga caiu no ''canal vermelho'', o que signfica que a vistoria tem que ser minuciosa, disse o delegado em exercício da RF em Paranaguá, Carlos Alberto Kletemberg.
A vistoria de uma carga desse tipo exige condições de clima e de ambiente adequados e por isso não pode ser feita em Paranaguá. O despachante aduaneiro entrou com pedido de liberação antecipada da carga, para que ela seja vistoriada em Londrina, no dia 30 de junho. Já se passaram mais de 15 dias e o despachante ainda não teve resposta.
Gonçalves acredita que se não houver algum tipo de intervenção a situação deve se agravar. Segundo ele, no Terminal de Contêiner de Paranaguá (TCP) as cargas estão se acumulando umas sobre as outras, o que dificulta a desova. ''Não há espaço físico para manuseio das cargas'', disse o despachante. O TCP não confirma a informação.
A Folha apurou que muitas empresas têm receio em denunciar os transtornos e prejuízos provocados pela operação padrão, para não se envolverem em conflitos com a RF.


