FISCALIZAÇÃO
Operação-padrão da Receita em
Foz deve congestionar fronteira
Ney de Souza/Arquivo FolhaBLITZ-TARTARUGAFiscais e técnicos da Receita vistoriaram bagagens de praticamente todos os sacoleiros durante a última operação
De Foz do Iguaçu

Os 101 fiscais e 185 técnicos da Receita Federal em Foz do Iguaçu promovem a partir de hoje a terceira operação-padrão do ano. Os auditores protestam contra o não atendimento das reivindicações feitas durante as duas últimas semanas, quando praticamente todos os ônibus, táxis e vans que transportam sacoleiros foram vistoriados na aduana brasileira.
Entre as exigências dos funcionários da Receita Federal estão maiores garantias de trabalho – principalmente no caso de demissão –, manutenção do regime estatutário e reposição salarial de 63%. Este índice é calculado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e se refere aos últimos cinco anos.
‘‘Queremos trabalhar com tranquilidade, sem a ameaça de possíveis mudanças na legislação trabalhista que ampara os funcionários públicos’’, lembra Gilberto Buss, presidente doSindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal (Unafisco) em Foz. Na última terça-feira, quando foi realizada a segunda operação-padrão, cerca de 80% das bagagens de ônibus, veículos e pedestres foram revistadas. Em dias normais, apenas 5% das mercadorias são vistoriadas.
As fiscalizações causaram intensos congestionamentos desde o posto da Receita até o centro comercial de Ciudad del Este, no Paraguai. Segundo Buss, o transtorno só não foi maior porque muitos preferiram não cruzar a fronteira quando souberam da greve.
Além do transtorno na região da Ponte da Amizade, motoristas que esperavam o desembaraço das cargas no posto da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar), em Foz, reclamaram da demora no atendimento. Apenas os caminhões que transportavam cargas perecíveis, produtos inflamáveis e animais vivos foram liberados.
A fiscalização também deve ser rigorosa na aduana brasileira da Ponte Tancredo Neves, que une Brasil e Argentina, e no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. Na próxima semana, os auditores prometem estender a greve por três dias (terça, quarta e quinta-feira) e depois poderão adotar o protesto por tempo indeterminado.

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