Operação Natal do Ipem autua quase 100 empresas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de dezembro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Um saco plástico de apenas dois gramas pode fazer diferença no valor de um alimento comprado para a ceia de Natal? Se a iguaria em questão for algo como o pistache, vendido a R$ 52 o quilo em algumas lojas especializadas, pode sim. Caso o peso da embalagem seja computado no preço final, serão R$ 0,10 a mais a cada quilo do produto. É o tipo de ''detalhe'' que pode ser desprezado por consumidores e comerciantes, mas não pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem).
O caso do pistache é o exemplo mais sutil das várias irregularidades encontradas pelos fiscais do Ipem em menos de uma hora rodando pelo Mercado Municipal Shangri-lá (Zona Oeste de Londrina), na manhã de ontem. A blitz fez parte de uma operação iniciada no último dia 17 e que prossegue até o Natal, focada nos produtos consumidos nesta época do ano. Estão sob a mira do órgão itens alimentícios como panetones, nozes, castanhas e frutas cristalizadas, além de brinquedos e lâmpadas natalinas.
O balanço parcial dessa fiscalização foi divulgado ontem pelo chefe regional do Ipem, Marcelo Trautwein. Quase 100 empresas já foram autuadas, sendo 82 no setor de alimentos e outras 17 no comércio de brinquedos. ''Constatamos problemas que vão desde a falta de informações na embalagem até indicações erradas da quantidade do produto. Os itens irregulares estão sendo apreendidos e os comerciantes podem receber multas que variam de R$ 100 a R$ 50 mil'', explicou Trautwein.
Segundo o chefe do Ipem, até a última terça-feira foram vistoriados 132 estabelecimentos onde há venda de alimentos, padarias a grandes redes de supermercados. Entre as autuações feitas nesse setor, 66 correspondiam a embalagens irregulares, nas quais faltava clareza nas indicações quantitativas. As outras 16 se referiam aos chamados ''erros contra o consumidor'', ou seja, as embalagens indicavam um peso e a balança acusava outro.
''Com o aumento dos auto-serviços, em que o próprio consumidor escolhe uma bandeja já fechada com a quantidade do produto que ele deseja, é preciso ficar ainda mais atento. É recomendável colocar o produto na balança e verificar se o peso da embalagem foi embutido no valor, o que é proibido'', ensinou.
O comerciante Mário Furuta, do Mercado Shangri-la, um dos que tiveram produtos desaprovados pelo Ipem, argumentou que havia diferença entre sua balança e a dos fiscais. ''Nossa divisão é feita de 2 em 2 gramas. A balança deles (do Ipem) é mais precisa'', afirmou. ''É muito detalhe. Acho que existem coisas mais importantes para se fiscalizar por aí'', completou.
O Ipem também vistoriou 6.517 unidades no comércio de brinquedos. Destes, 677 não possuiam a certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). De acordo com Trautwein, grande parte dos comerciantes autuados neste setor não conseguiram comprovar a origem dos produtos.
Com relação às lâmpadas natalinas, o Ipem está fazendo apenas um levantamento solicitado pelo Inmetro. ''Estamos verificando a procedência desses produtos, se contêm informações em português na embalagem, se possuem quantidade e tensão condizente com a anunciada e ainda se o material do plug ou da tomada é ferroso, com tendência à oxidação'', esclareceu.


