Operação Maré Vermelha aperta o cerco aos importados
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segunda-feira, 19 de março de 2012
Andréa Bertoldi <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Receita Federal vai apertar o cerco aos importadores no Brasil todo. Ontem foi desencadeada a Operação Maré Vermelha que tem como foco a fiscalização de mercadorias importadas que apresentam um volume maior de irregularidades. A prioridade serão produtos como vestuário, calçados, brinquedos, eletroeletrônicos, bolsas, artigos de plástico, cosméticos, maquiagem e pneus.
Na prática, agora todas essas mercadorias vão cair no ''canal vermelho'' de fiscalização, ou seja, a verificação será detalhada com análise física dos produtos e análise documental. Por isso, a operação foi batizada de Maré Vermelha. De acordo com a inspetora chefe da Inspetoria da Receita Federal em Curitiba, Cláudia Regina Thomaz, no ano passado, do total de declarações de importação que a Receita recebeu, 30% eram destes produtos que serão fiscalizados. Em Curitiba, estas mercadorias representaram 22% do total de declarações de importação em 2011.
Só no Paraná, 80 servidores vão atuar na operação que ainda não tem data para acabar. Segundo o superintendente adjunto da Receita para o Paraná e Santa Catarina, Sérgio Gomes Nunes, os focos principais de atuação serão no Porto de Paranaguá, em Curitiba e Foz do Iguaçu. Mas, também haverá fiscalização no Interior em cidades como Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa.
Ontem, também foi inaugurado o Centro Nacional de Gerenciamento de Risco (Cerad), unidade especial da Receita situada na cidade do Rio de Janeiro, que coordenará os processos de inteligência e análise de risco operacional das atividades de fiscalização aduaneira em todo o País. ''O Cerad vai melhorar a capacidade de monitoramento'', disse Nunes.
Segundo ele, entre os objetivos da operação estão proteger a indústria nacional e combater fraudes que alimentam o crime organizado. Nunes destacou que, com as fraudes, os empregos no País são afetados e o importador correto também é penalizado. No Paraná, serão objeto da fiscalização 21 instalações e terminais portuários, quatro terminais de cargas em aeroportos, cinco portos secos e dois portos fluviais.
Cláudia lembrou que o País nunca teve o comércio exterior tão intenso como agora. Esse tipo de movimentação saiu de um patamar de US$ 110 bilhões em 2001 para US$ 480 bilhões em 2011, quatro vezes maior na última década. No Paraná, o aumento foi de US$ 10 bilhões para US$ 36 bilhões no mesmo período.
Somente de 2010 para 2011, as importações brasileiras cresceram 24% em valor fechando o ano em US$ 226,2 bilhões. No Paraná, o crescimento foi de 38% e passou de US$ 13 bilhões para US$ 18 bilhões. Em 2011, a Receita teve R$ 1,5 bilhão em mercadorias e veículos apreendidos em fiscalizações aduaneiras no Brasil. No Paraná, foram US$ 199 milhões.
Cláudia destacou que a fiscalização vai envolver o comércio formal e informal com a presença da Receita em shoppings, estradas, ônibus, entre outros locais. ''Vamos segurar os produtos na entrada no Brasil'', disse. Em um primeiro momento, ela prevê que os maiores impactos da operação ocorram em Santos e no Rio de Janeiro.
Nunes acredita que com a fiscalização, a Receita tenha um aumento de arrecadação e de encaminhamento de representações de fiscais para fins penais para o Ministério Público.



