O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) começou ontem a segunda fase da Operação Leite Compen$ado, que investiga esquema criminoso de adulteração do leite, por meio da adição de uma mistura de água, ureia e formol. Esta fase envolve 113 mil litros impróprios para o consumo que, segundo o MP gaúcho, teriam sido enviados à Confepar em Londrina.
Pela manhã, foram presas cinco pessoas, entre empresários, transportadores de leite, funcionários e um vereador, nos municípios gaúchos de Rondinha, Boa Vista do Buricá e Horizontina. Também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão. Além do MP, a operação contou com a participação de representantes do ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e com o apoio da Brigada Militar.
De acordo com o promotor de Justiça Mauro Rockenbach, a continuidade da operação, iniciada em fevereiro, pretende acabar com o esquema de adulteração do leite em outros dois núcleos no Rio Grande do Sul. A prática é considerada crime hediondo de corrupção de produtos alimentícios, previsto no Artigo 272 do Código Penal.
Segundo o MP, em Rondinha, 11 laudos do Ministério da Agricultura, feitos entre fevereiro e maio, confirmaram a presença de formol no leite cru, somando um total de 113 mil litros impróprios para o consumo. Todo esse volume teria sido levado para a Confepar.
As primeiras notas fiscais apreendidas em Rondinha comprovam a aquisição de 50 quilos de ureia. Com o aumento do volume do leite, os transportadores lucravam 10% a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru, em média R$ 0,95 por litro.
De acordo com Rochenback, desde fevereiro deste ano, a Confepar estava ciente de que o leite cru recebido dos postos de resfriamento no Rio Grande do Sul, nos quais houve detecção de formol, não deveria ser utilizado na produção de leite UHT e pasteurizado. Mas, segundo ele, não é possível atestar se a medida foi cumprida.
Em nota distribuída no final da tarde de ontem, a empresa reitera "seu repúdio a ações fraudulentas" e "reafirma que sempre cumpriu com rigor seus procedimentos e controles internos de qualidade, dentro dos padrões da legislação vigente".
De acordo com a nota, o leite apreendido no Rio Grande do Sul está sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura e nunca foi destinado à Confepar.
A cooperativa confirma ainda que Coopleite - Cooperativa Central de Captação de Leite, afiliada da Confepar e responsável pela captação de leite no Rio Grande do Sul, recebeu o memorando do Ministério da Agricultura. Mas que "intensificou as análises e controles do produto recebido com processos ainda mais criteriosos". E que não foi apontada nenhuma irregularidade. (Colaborou Reportagem Local)

mockup