Curitiba - Uma organização criminosa com sede em Maringá é suspeita de comandar um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que teria a participação de aproximadamente 400 empresas e a utilização de 500 ''laranjas'' em cidades paranaenses e em outros nove estados do País. A operação conduzida pela Polícia Federal, em ação conjunta com a Receita Federal, foi batizada de ''Laranja Mecânica''.
Durante as investigações, que iniciaram em 2008, foi apurado que integrantes de uma família de Maringá constituíam diversas empresas no setor de autopeças utilizando-se de ''laranjas'' para se desvincularem das pessoas jurídicas. Quando percebiam que seriam alvo de algum tipo de fiscalização, eles abandonavam as empresas. A polícia não divulgou o nome dos envolvidos.
O delegado da Polícia Federal, que coordenou a operação em Maringá, Alexsander Noronha Dias, explicou que o esquema teria movimentado cerca de R$ 1,5 bilhão nos últimos cinco anos. Ele disse que até agora não houve decretação de prisões, mas isto não está descartado. Foram apreendidos seis veículos de luxo em Curitiba (como Mini Cooper, Land Rover e BMW), nove veículos em Maringá, 15 carretas em São Paulo, além de uma série de documentos.
Foram realizados um total de 44 mandados de busca e apreensão e 35 para condução coercitiva de investigados, expedidos pela Justiça Federal, nas cidades de Maringá e Curitiba, no Paraná, além de São Paulo (SP), Iguatemi e Sidrolândia (ambas em Mato Grosso do Sul) e Caxias do Sul (RS). A operação ocorreu também em Mato Grosso, Goiás, Maranhão, Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais.
Dias explicou que foram detectadas pela PF movimentações financeiras atípicas deste grupo. Segundo ele, a Receita Federal já tinha uma investigação para cobrar dívidas tributárias que iniciaram em 1995 no valor de R$ 10 milhões. A partir de 2008, as duas instituições uniram forças para trabalharem juntas no caso. A apuração realizada pela Receita indicou sonegação fiscal já constituída da ordem de R$ 150 milhões, valor que pode quintuplicar em razão das autuações fiscais que realizadas ontem durante o cumprimento dos mandados.
O delegado da PF explicou que a família de Maringá vendia autopeças abaixo do valor de mercado. O lucro gerado para o esquema ajudava a engordar o patrimônio da família e uma outra parcela ia para a criação de novas empresas. As pessoas envolvidas no esquema vão responder pelos crimes de formação de quadrilha, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
De acordo com Dias, o esquema tinha três tipos de laranjas. Havia os que desconheciam o esquema e a utilização de seus nomes; os funcionários das empresas que tinham conhecimento que os seus nomes eram usados e um terceiro grupo de pessoas que tinha conhecimento do esquema e recebia de R$ 300 a R$ 900 por mês para ceder o nome como ''laranjas''.
A Polícia Federal conseguiu o deferimento da 3 Vara Criminal Federal de Curitiba para realizar o bloqueio de bens imóveis e móveis da quadrilha entre eles veículos e duas aeronaves. Participaram da operação de ontem cerca de 200 policiais federais e 100 servidores da Receita Federal.

Imagem ilustrativa da imagem Operação investiga esquema de sonegação fiscal
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