Operação flagra diferença entre notas fiscais e estoque de postos
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Na primeira Operação Bomba Limpa de 2012, a impressão que se tem é que os donos de postos de Londrina pouco se preocuparam com os flagrantes de irregularidades das operações do ano passado. Ontem, o Ministério Público, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Procon, Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), Receita Estadual e Comitê Sul Brasileiro de Qualidade de Combustíveis visitaram seis estabelecimentos da cidade e encontraram bombas irregulares e notas fiscais que não ''batiam'' com os estoques nos tanques. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) também participou da operação, recolhendo amostras e verificando a qualidade do combustível.
Pela manhã, a operação começou em um posto da rua João Cândido. O proprietário vendia combustível sem origem comprovada e diversos bicos foram lacrados. Em outro posto, na Avenida Leste-Oeste, o Ipem acabou encontrando uma bomba com vazamento e uma mangueira fora das especificações exigidas. ''Em um dos estabelecimentos, encontramos 11 mil litros de combustível sem procedência'', relatou Carlos Neves Júnior, coordenador do Procon da cidade.
No período da tarde, em um estabelecimento de grande movimentação localizado na Avenida Maringá, o dono até tentou justificar a diferença encontrada de quase 11 mil litros que não batia com as notas fiscais de compra. Depois de muita conversa e um início de confusão, dez bicos de gasolina e etanol foram lacrados. Neste caso, a Receita Estadual deu um prazo de 15 dias para que o proprietário justifique tal diferença e comprove a origem do produto, caso contrário, o órgão retorna para nova fiscalização. ''Existe uma necessidade de lacrar estas bombas para darmos uma segurança ao consumidor. Quando não há comprovação, alguns postos por exemplo, podem estar trabalhando com produtos roubados'', relatou Júnior.
O promotor de defesa dos direitos do consumidor, Miguel Sogayar, relatou que está sendo bastante rotineiro encontrar estas diferenças entre o que está sendo comercializado e o que está comprovado em nota fiscal. ''Por este motivo é que estamos trabalhando conjuntamente com a Receita Estadual. A operação vai continuar durante toda esta semana para que possamos trazer mais segurança e tranquilidade para o consumidor'', salientou.
Placa eletrônica
Outra análise que está sendo realizada durante a Operação Bomba Limpa é das placas eletrônicas que determinam o funcionamento das bombas de combustível. Foram essas mesmas placas que estavam sendo manipuladas em Curitiba e prejudicaram diversos consumidores, como mostrou uma denúncia no Fantástico.
Fabrício Machado, gerente do Comitê Sul Brasileiro de Qualidade de Combustíveis, explicou que foram realizadas substituições de algumas placas pela cidade. ''Isso não caracteriza crime, trocamos algumas versões antigas para evitar problemas. Em Londrina, tais trocas já foram efetuadas em sete postos. Até agora, não encontramos nada parecido com o que aconteceu na Capital'', concluiu.


