Brasília – A Polícia Federal deflagrou nesta sexta (12) a Operação Bullish, que investiga possíveis fraudes e irregularidades em aportes concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A investigação apura se houve supostas irregularidades na concessão de apoio financeiro pela BNDESPAr, subsidiária do BNDES, à JBS a partir de junho de 2007. Os donos da JBS estão impedidos de fazer mudanças societárias na empresa, além de não poder criar outras companhias no Brasil e no exterior.

A JBS é uma das maiores processadoras de proteína animal do mundo. Ela pertence à J&F, dos irmão Joesley e Wesley Batista. A empresa já é investigada na Greenfield, operação que apura o suposto uso irregular de dinheiro de fundos de pensão. Wesley Batista foi levado para depor. Joesley também foi alvo de condução coercitiva mas se encontra no exterior, segundo investigadores. Os investigadores apontam problemas de avaliações envolvendo o banco estatal, como rapidez de análises de operações financeiras complexas que fogem aos padrões, sem mensurar riscos ou garantidas devidas.

"Os aportes, realizados a partir de junho de 2007, tinham como objetivo a aquisição de empresas também do ramo de frigoríficos no valor total de R$ 8,1 bilhões", afirma a PF. Na decisão, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, afirma que um laudo da Polícia Federal demonstra prejuízos em operações de debêntures que favoreceram a JBS e prejudicaram o BNDES.

Também diz que a PF apontou "as pessoas que incidiram para a eclosão da irregularidade". Leite afirma, porém, que "não há indícios de conluio ou negociata sobre a aquisição de ações da JBS por parte do BNDESPar".

Prisão negada
Na decisão, o juiz também negou o pedido de prisão contra os donos da JBS afirmando que ele poderia ser substituído por outras medidas. O ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho, que está fora do País, também é alvo de condução coercitiva, além de haver um mandado de busca e apreensão na casa dele. As investigações apontaram que os desembolsos dos recursos públicos tiveram tramitação em tempo recorde após a empresa contratar a Projeto, consultoria do ex-ministro Antônio Palocci, que está preso em Curitiba no âmbito da Operação Lava Jato. No final da tarde de ontem, Pallocci anunciou que vai lançar mão da delação premiada .

OUTRO LADO
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de todos os citados. A presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, afirmou que o banco tem confiança "na probidade e na capacidade técnica" de seus empregados. Ela fez a declaração durante teleconferência com jornalistas para detalhar os resultados do banco, que teve lucro de R$ 373 milhões no primeiro trimestre de 2017.

A defesa do ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho disse, em nota, que ainda não teve acesso aos autos, "mas tem convicção de que demonstrará, ao longo do processo, a lisura de todas as ações realizadas durante sua gestão". O grupo alimentício JBS informou que não foi favorecido em qualquer operação financeira envolvendo a BNDESPar.

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