Operação da PF apreende passaportes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de março de 2006
Solange Spigliatti<br>Agência Estado 
São Paulo - A Polícia Federal apreendeu, como parte da Operação Suíça, o passaporte de seis gerentes do banco suíço Credit Suisse em São Paulo. Todos eles estão impedidos de deixar o país sem consentimento prévio da Justiça.
Os seis gerentes cujos passaportes foram apreendidos foram identificados como R.C.H. (cidadão suíço de 40 anos, gerente-regional), C.M.S.M. (cidadão luso-suíço de 37 anos, gerente-geral), J.S. (cidadão suíço de 34 anos, gerente de contas), D.A.L. (cidadão suíço de 35 anos, gerente de contas), S.L.A. (brasileira de 46 anos, gerente de contas) e M.C.A.M. (brasileira de 41 anos, gerente de contas).
Na quarta-feira (22) a PF prendeu o gerente internacional para negócios do Brasil do Crédit Suisse, Peter Schaffner, quando ele tentava embarcar para o exterior no Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos).
Segundo a Polícia federal, as investigações criminais da Operação Suíça começaram em dezembro e já foram obtidos fortes indícios de que os suspeitos efetivamente estavam atuando de modo ilegal, proporcionando a remessa ao exterior de grandes somas de valores de origem suspeita, pertencentes a brasileiros e estrangeiros residentes no país, fato esse que, em tese, pode configurar crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Outro lado - Irritados, os porta-vozes do Credit Suisse adotaram a política de se recusar a dar qualquer tipo de informação sobre o escândalo e sobre eventuais envolvidos. O banco se recusou até mesmo a informar se também estaria sendo investigado na Suíça pelos acontecimentos no Brasil. ''Não vou dar esse tipo de informação'', afirmou David Walker, representante do Credit Suisse em Nova York. Em Zurique, a assessoria do banco evitou comentar o caso e apenas confirmou que a instituição financeira ''ajudará nas investigações''.
O Credit Suisse, um dos maiores bancos do país, também está se recusando a passar informações sobre a prisão do gerente. ''Não daremos informações pessoais'', afirmou Walker, visivelmente mal-humorado com as perguntas feitas sobre quem seria o banqueiro, quanto tempo já estaria no Brasil e porque teria a intenção de deixar o País exatamente no dia em que seu escritório estava sendo invadido pela polícia. (Colaborou Jamil Chade, correspondente da AE em Genebra)


