Operação aduaneira afetou exportações
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segunda-feira, 19 de abril de 2004
Das agências 
São Paulo - O Brasil deixou de exportar cerca de US$ 500 milhões na terceira semana de abril por causa da operação padrão dos fiscais aduaneiros, que tem comprometido os trabalhos nos portos. A estimativa foi apresentada ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, durante a sua participação na 4 reunião do Conselho Estadual de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Cericex), quando foi inaugurado o Centro de Logística da Exportação (Celex).
De acordo com a nota técnica do saldo da balança comercial, divulgada no site do ministério, nesse período, as exportações totalizaram US$ 1,3 bilhão e as importações US$ 1,06 bilhão, resultando em um superávit comercial de US$ 242 milhões.
O ministro Furlan disse que, apesar dos prejuízos verificados em função da operação padrão, os resultados do comércio exterior têm demonstrando que o País está caminhando rumo a novos recordes de superávit comercial.
As vendas de produtos manufaturados para o exterior foram as que mais cresceram no mês de abril aumento de 17,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações diárias médias dos produtos brasileiros com maior valor agregado passaram de US$ 154,4 milhões para US$ 181 milhões. No ano, as exportações brasileiras acumulam US$ 22,781 bilhões.
As exportações diárias de semimanufaturados produtos de ferro e aço, couros e peles, óleo de soja bruto, alumínio bruto, ligas de alumínio e açúcar bruto cresceram em média 3,9%, passando de US$ 34,9 milhões para US$ 36,2 milhões. As vendas diárias médias de básicos soja em grão, minério de ferro e fumo em folha caíram 9,5%, passando de US$ 89,2 milhões para US$ 80,7 milhões.
Estudo - Os produtos com ''alta intensidade'' de tecnologia representaram apenas 12,1% da pauta de exportações no ano passado e as mercadorias mais básicas responderam por quase dois terços do total. A conclusão é de um estudo da Área de Comércio Exterior (AEX), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para a qual o País precisa desenvolver produtos mais avançados para consumo interno e para exportação.
''No longo prazo, nossa pauta deve ser sofisticada. Tem de ter produtos de maior tecnologia. Daí a política industrial (anunciada em abril)'', defende a gerente da área, Ana Cláudia Além. Esta semana, a área externa do banco, responsável por financiamentos de R$ 4 bilhões às exportações no ano passado, lançará a Sinopse Internacional. O documento será trimestral, com um balanço sobre o comércio exterior e projeções estatísticas.
A economista explica que o País deve sofisticar a pauta de exportações, sem abrir mão do desempenho do setor de agronegócios, que se modernizou nos últimos anos, aumentou a produtividade e vem contribuindo para a balança comercial. O aperfeiçoamento tornará a pauta brasileira mais dinâmica e consolidada para enfrentar mudanças da economia internacional no médio prazo, além de compensar o avanço das importações.


