A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) inicia hoje sua segunda reunião de chefes de Estado diante de um cenário ainda bastante confuso em relação ao futuro dos preços do petróleo no mercado internacional. Eles discutirão formas de melhorar o diálogo entre países produtores e consumidores para buscar preços ‘‘justos e estáveis’’ para o produto, mas deverão evitar fazer prognósticos em relação a um possível aumento na produção mundial.
O embaixador Jorge Valero, presidente da Comissão Preparatória da reunião, deixou claro ontem que, para os membros da Opep, a volatilidade dos preços do petróleo, que chegou a alcançar cerca de US$ 37 o barril, tem sido motivada pela especulação do mercado financeiro. ‘‘Temos afirmado enfaticamente que a instabilidade tem aspectos que fogem da lógica de mercado de oferta e demanda, e temos apenas 40% da produtividade de petróleo no mundo.’’
O vice-ministro de Minas e Energia da Venezuela, Alvaro Silva Calderón, disse que o setor petroleiro está aberto para buscar uma estabilização do mercado. Segundo ele, os membros da Opep precisam acompanhar quais serão os efeitos, no mercado, da decisão dos Estados Unidos, que no fim da semana passada liberou 30 milhões de barris das reservas estratégicas, para buscar atender parte da população que necessitará do óleo durante o inverno. ‘‘Os Estados Unidos têm o direito soberano de usar suas reservas e seguramente algumas considerações merecerão uma análise durante a reunião’’, disse.
Valero lembrou que a partir de domingo entrará em vigor o aumento de produção de 800 mil barris diários anunciados pela Opep em agosto. ‘‘A tendência é que os preços voltem a ficar dentro da banda proposta pela organização’’ – US$ 22 e US$ 28.
Apesar de acreditar que os preços poderão recuar, Valero enfatizou que os ministros dos países da Opep estarão atentos e dispostos a propor qualquer medida para regularizar o mercado caso os preços fiquem acima de US$ 28 e também caso eles fiquem abaixo de US$ 22. ‘‘Temos de esperar para ver como os preços se comportarão.’’ Segundo Calderón, a solução para a instabilidade dos preços do petróleo deve partir não somente dos países produtores, mas também dos consumidores. Valero defendeu ainda a necessidade de que, durante a reunião de Caracas, seja consolidado o ‘‘fortalecimento’’ da Opep, ‘‘para que tenhamos preços justos e estáveis.’’

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