OPEP anuncia redução de 1 milhão de barris por dia a partir de abril
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sábado, 17 de março de 2001
France Presse De Viena 
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reduzirá sua produção de petróleo em um milhão de barris diários (mbd) a partir de primeiro de abril, tal como especulavam os mercados, por causa da demanda da economia mundial e para preservar o atual nível de preços, anunciou o cartel ontem.
A redução situará a atual produção do cartel em 24.201 mbd. Isso representa um terço do consumo mundial (76 a 77 mbd), segundo as previsões dos analistas. A presente fragilidade da economia mundial e a tradicional redução da demanda associadas ao segundo trimestre implicam claramente a necessidade de uma correção no fornecimento de petróleo, indicou o comunicado final da organização de onze países. A OPEP voltará a se reunir para analisar o estado do mercado nos dias 5 e 6 de junho.
Com o anúncio, a organização decidiu, portanto ignorar os pedidos dos consumidores para levar em conta o aspecto frágil da economia mundial, com os Estados Unidos em plena desaceleração e a delicada situação no Japão. Mais ainda, segundo palavras do presidente da organização, o argelino Chakib Khalil, é precisamente essa queda que provocou este segundo corte da OPEP no correr do ano e não o contrário. O primeiro foi em janeiro, 1,5 mbd.
A queda do crescimento provoca, por sua vez, uma menor demanda mundial do petróleo e isso tem impacto sobre a OPEP, comentou o presidente do cartel, Estamos tão preocupados com os consumidores quanto vocês, mencionou Khalil, falando à imprensa e em resposta à pergunta se o novo corte da OPEP não ia contribuir com um aumento dos preços do petróleo e, em consequência, às dificuldades dos países consumidores.
Os impostos (sobre a gasolina) são uma carga pesada para os europeus, explicou, acrescentando que os os governos deveriam reduzi-los. Temos uma margem de US$ 22 a US$ 28 de variação para o preço da cesta de petróleo selecionada pela OPEP, recordou, por sua parte, o secretário-geral do cartel, Ali Rodríguez. Indagado quanto a um preço de US$ 25 por barril, Rodríguez disse que o mesmo era razoável.
O cartel, que voltou a demonstrar suas divisões internas, acabou convocando a imprensa ontem para comunicar sua decisão depois dos muitos rumores à respeito da cifra precisa que circularam nas últimas 48 horas. Alguns países como a Arábia Saudita se apressaram em desmentir que queriam esperar o fechamento dos mercados para divulgar a decisão.
O cartel expressou igualmente sua confiança que seus países membros ontribuam para esse controle do preço do petróleo nos mercados. A OPEP conta com um corte extra de 200.000 a 300.000 bd provenientes dos países que assistiram à reunião na qualidade de observadores (Angola, Rússia, Cazaquistão e Omã), assinalou o ministro Abdulah bin Hamad al-Attiyá.O México, um dos principais produtores mundiais, também observador em Viena, foi citado pelo ministro.
Depois de quatro altas da produção em 2000, que fizeram disparar o teto produtor da OPEP em 3,7 mbd, agora o cartel reduziu em 2,5 mbd sua oferta. Essa é exatamente a queda da demanda que o cartel espera para o segundo trimestre, nas palavras do ministro iraniano Bijan Namdar Zangené.
Esse é aproximadamente o atual preço dos barris de referência nos mercados nova-iorquino e londrino para entrega no mês de abril.


