Opção pelo publicídio (Oswaldo Petrin)
Oswaldo PetrinOpção pelo publicídio
-Uma campanha destinada a dar melhor status ao produto brasileiro e, com isso, melhorar a auto-estima do consumidor, está sendo preparada pelo publicitário Alex Periscinotto. Será a principal arma dos empresários de 18 setores de atividade que participam do Movimento de Valorização do Produto Brasileiro. Será uma campanha suave, cujas peças publicitárias terão o propósito de proteger a imagem de quem usa o produto nacional, sem ferir suscetibilidades, nem agredir o produto importado, afirmou Periscinotto.
-Esta campanha institucional não é totalmente inócua. Mas é extremamente ingrata. Ela nos remete, enquanto consumidores, para uma decisão política na hora de comprar. Isto é difícil porque o consumidor - no supermercado - é o indivíduo que se despoja de todo seu espectro ideológico. Ele se permite levar pelo ímpeto do consumo. Assume que está no templo do consumismo; ele buscou livremente esta inserção. E se permite, por vezes, abrir mão até do seu mais elementar direito de cidadão, presa consciente da sedução do apelo comercial. Uma vez no supermercado (ou na loja de importados), tentar persuadi-lo a fazer opção por este ou aquele produto só mesmo pela concorrência. É como investir sobre o ego do indivíduo.
-Talvez fosse mais eficaz a opção pelo convencional da propaganda: ou seja, cada marca mostrando suas virtudes e expondo, com sinceridade, o que tem de melhor. O talento publicitário brasileiro é quase imbatível; há excelentes campanhas exibindo resultados fantásticos. O consumidor se convence e se inclina pelo produto nacional simplesmente se achar que ele é melhor. O resto é o que me permito chamar de publicídio. É preciso não confundir propaganda com patriotada, que é mais difícil.
-Sem xenofobia, parece razoável, contudo, a preocupação com o efeito adverso: Nada contra o produto importado, afirmou o diretor do Departamento de Economia (Decon) da Federação das Indústrias do Estrado de São Paulo (Fiesp), Boris Tabacof. O objetivo, segundo informou a Isabel Dias de Aguiar da Agência Estado, é despertar a consciência do consumidor sobre o efeito que a escolha pelo produto nacional pode ter na economia: mais desenvolvimento, mais emprego e novas oportunidades no mercado brasileiro.
-Tabacof citou o exemplo da experiência do consumidor norte-americano, que reagiu à invasão de carros japoneses em seu mercado. A população resistiu ao apelo da novidade e a indústria local tratou de melhorar seu produto para concorrer com o veículo japonês. Os empresários estão dispostos a procurar parceiros para essa mobilização. O presidente da Fundação Abrinq para os Direitos da Criança, Oded Grajew, lembrou que essa campanha poderá provocar polêmica e torna-se importante deixar claro os seus reais propósitos. Os empresários não desejam ser apontados como oportunistas, ao mencionar o desemprego como argumento para a valorização do produto nacional. Nem querem ser acusados de defensores da reserva de mercado.Preços
Os preços pagos aos produtos caíram 2% na terceira quadrissemana deste mês, conforme dados do Instituto de Economia Agrícola. É a quinta queda seguida registrada pelo IEA.
Preços 2
As principais baixas ocorreram nas frutas (8,5%) e nos produtos de origem animal (4,1%), enquanto os olerícolas lideraram as altas, com aumento de 7,5% nos últimos 30 dias, diz a pesquisa do IEA.
Álcool
O Senado aprovou projeto de lei que obriga União, Estados e Municípios a converterem, no prazo de cinco anos, todos os veículos de sua frota oficial em veículos movidos a álcool.
Taxi/ICM
A única exceção será a frota das Forças Armadas. A proposta determina também que somente a compra de carros a álcool será subsidiada pelo governo, incluindo-se nessa regra, por exemplo, os taxistas, que hoje conseguem isenção do IPI.
Fiat
Os senadores de Minas leram um documento da Fiat do Brasil discordando da proposta. De acordo com a Fiat, o projeto deveria dar um prazo mínimo de 18 meses para a indústria automotiva nacional se adaptar à tecnologia de motores a álcool.





