Opção foi assinada em novembro
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quarta-feira, 11 de dezembro de 1996
Deonilson Roldo 
A definição da Volkswagen/Audi pelo Paraná foi oficializada num documento manuscrito pelo secretário-chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis, e assinado no Palácio Iguaçu no último dia 6 de novembro pelo governador Jaime Lerner e por diretores da montadora. O encontro, assim como os detalhes do acordo, jamais tiveram qualquer comentário público.
O ato entre quatro paredes e poucas testemunhas foi, na verdade, o desfecho formal de uma série de encontros e contatos iniciados logo após o anúncio da Renault, em março. Mas as negociações caminharam mais rapidamente após as eleições de 3 de outubro. Além do Paraná, o Rio de Janeiro também disputava a fábrica.
O protocolo assinado ontem no Palácio do Planalto apenas coloca o governo federal como participante ativo do processo. Politicamente, é uma resposta calculada à caravana a Brasília que o governador gaúcho Antonio Britto promoveu semana passada, para comemorar a instalação da uma unidade da GM no Rio Grande do Sul.
Na corrida em direção ao Paraná, a Volks acabou atropelando a Hyundai, que chegou a vistoriar a área escolhida pelo grupo alemão em São José dos Pinhais, mas demorou na resposta. Agora, o mais provável caso a montadora coreana também opte pelo Paraná, é a sua localização em Ponta Grossa ou em outro município do interior do Estado, já que as áreas disponíveis na região metropolitana escassearam.
A conquista da Volks/Audi, a terceira em importância de grande escala - a Renault e a Chrysler são as outras -, comprova uma virada definitiva na base industrial do Paraná, agora com um colar de montadoras ao redor de Curitiba. Méritos para a capacidade que o governo vem demonstrando em manter o bico fechado e não comemorar antes do tempo.
Desde o acordo com a Renault o governo estadual colocou em prática a estratégia de manter em segredo os contatos com montadoras. Alega que o sigilo nas negociações é imposição dos interessados, para não despertar disputas políticas.
A tese carece de fundamento, já que as próprias montadoras, em muitos casos, estão atrás da melhor proposta, do maior incentivo e dispostas até a leiloar a localização de novas unidades, como afirmou há duas semanas em Curitiba o embaixador da Coréia do Sul, Sam Hoon Kim, a respeito da instalação da Hyundai no Brasil.
De qualquer forma, o governo tem lá seus motivos para manter as negociações a sete chaves. Antes, durante e até depois de concluídos os acordos.


